Fadiga persistente é sinal de alerta para doença grave nas células do sangue

Esse cansaço que não passa após descanso gera preconceito e impacta a qualidade de vida dos pacientes com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

Por KARINA KLINGER
4 Min

Fadiga persistente é sinal de alerta para doença grave nas células do sangue
Crédito: Freepik
Muitas doenças apresentam sintomas invisíveis, sinais que não são aparentes para os outros, mas que são intensamente vividos pelos pacientes. É o caso da fadiga na Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença rara que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue sejam destruídos com facilidade, provocando cansaço extremo, dores constantes e risco de coágulos que podem ser muito graves.

Mesmo com o tratamento atual disponível no SUS, cerca de 80% dos pacientes permanecem anêmicos e 40%, além de uma anemia severa, não possuem uma resposta adequada. Ou seja, 8 em cada 10 pessoas continuam sintomáticas, com impactos não apenas físicos, mas também emocionais, sociais e econômicos, que afetam pacientes e suas famílias.


Essa fadiga é incapacitante, pois prejudica as atividades diárias e a produtividade, interferindo no bem-estar e na qualidade de vida dos pacientes com HPN”, pontua o hematologista Rodolfo Cançado, Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Comitê de Glóbulos Vermelhos da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular).

Por conta disso, os pacientes não renunciam apenas às atividades rotineiras como também às prazerosas por conta da exaustão crônica, levando à frustração por não conseguirem manter seu ritmo habitual na vida profissional, social e familiar.

Outro desafio enfrentado por quem sofre dessa doença consiste na falta de compreensão por parte das pessoas de convívio externo. Muitos pacientes com HPN contam que são julgados por familiares e colegas de trabalho, que frequentemente confundem a fadiga debilitante com preguiça.

Esse preconceito reforça o estigma da doença e contribui para o isolamento social e emocional, agravando ainda mais o sofrimento de quem convive com a HPN”, alerta o médico.

A HPN pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comumente diagnosticada em adultos jovens (30 a 50 anos), ou seja, no auge de suas capacidades produtivas. Isso impacta oportunidades profissionais, com pacientes relatando perda de empregos ou promoções por não conseguirem desempenhar as atividades nas quais estão envolvidos ou precisarem de pausas frequentes para recuperação.

Os impactos na vida profissional não se limitam somente à fadiga. O deslocamento até os centros de referência também é um ponto de atenção, especialmente porque o paciente já fadigado, precisa receber o tratamento intravenoso a cada quinze dias.  

Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), 50% dos pacientes precisam se deslocar para outro município para receber tratamento e percorrem em média 82,5km no trajeto de sua residência ao centro de referência mais próximo.

No início deste ano a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Cloridrato de Iptacopana, a primeira monoterapia oral desenvolvida para tratar pacientes com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN).  

Este medicamento, no entanto, ainda não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) acaba de abrir a Consulta Pública N°88/2025 para avaliar a sua incorporação. O processo está disponível em: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/1731/ e toda a sociedade pode participar até 11 de novembro. 


Como a primeira monoterapia oral para HPN, além de evitar os deslocamentos para os centros de referência, o medicamento oferece um controle abrangente da doença, permitindo a tripla normalização, ou seja, conquista de níveis normais de hemoglobina, normalização da desidrogenase lática (DHL) e dos níveis de fadiga, além da ausência de transfusões.


 

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KARINA KLINGER
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