Uma dorzinha chata na panturrilha ou um inchaço que parece bobo depois de um dia cansativo costumam passar batidos na rotina de muita gente. O problema é que esse incômodo aparentemente inofensivo pode ser o primeiro sinal da trombose venosa profunda, uma condição que afeta cerca de 180 mil brasileiros todos os anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Quando o sangue se solidifica e forma um coágulo nas veias das pernas, o perigo real fica escondido: se esse pedaço de sangue se desprender, ele viaja direto para os pulmões. O resultado é a embolia pulmonar, um entupimento grave que corta a oxigenação do corpo e pode ser fatal se não for tratado correndo.
O sinal de que as coisas saíram do controle costuma vir sem aviso: uma falta de ar repentina, o coração disparado e uma dor forte no peito. O cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio ressalta que, quando o pulmão é atingido, cada minuto conta para salvar a vida do paciente. “O grande perigo da trombose é justamente o fato de ela ser silenciosa no começo. As pessoas acham que é só um cansaço muscular, mas o risco surge quando esse coágulo se move, bloqueia as artérias pulmonares e sobrecarrega o coração de uma hora para a outra”, alerta o médico.
Para quem chega ao hospital nessa situação de extrema urgência, a medicina hoje consegue agir rápido graças a procedimentos modernos que evitam a necessidade de abrir o peito do paciente. Uma das técnicas mais eficientes e rápidas para liberar a respiração é a trombectomia mecânica, uma cirurgia feita por cateter que entra direto nos vasos para limpar a área obstruída.
O especialista explica que o processo funciona de forma muito delicada, introduzindo um tubo fino e flexível por uma pequena punção, geralmente na virilha. Guiado por imagens em tempo real, esse cateter vai navegando por dentro do corpo até alcançar o pulmão. "Nós conseguimos chegar exatamente onde o fluxo de sangue foi interrompido e aspirar o coágulo para fora do corpo. É um alívio imediato para o coração e o paciente volta a respirar melhor ainda na mesa de cirurgia", detalha.
Como é um método minimamente invasivo, a aspiração mecânica traz muito mais segurança do que os tratamentos antigos, que dependiam apenas de remédios fortes para tentar dissolver o trombo aos poucos, o que aumentava o risco de hemorragias. O tempo de UTI e de internação cai consideravelmente, e o paciente consegue se recuperar muito mais rápido. Mesmo assim, o cirurgião lembra que a tecnologia só faz milagre se a pessoa não demorar para buscar socorro ao sentir os primeiros sintomas no peito.
Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Josualdo Euzébio: @dr.josualdo
Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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