Outubro de 2025 consagrou os esforços nacionais em torno dos atletas paralímpicos. Ao longo do mês, competições internacionais sendo quase que na totalidade mundiais das modalidades trouxeram resultados históricos para o país. O principal deles foi a conquista do Mundial de Atletismo.
O Brasil se sagrou pela primeira vez na história campeão de uma edição do Mundial de Atletismo, ao terminar à frente do quadro geral de medalhas na competição realizada em Nova Déli, na Índia. Os brasileiros subiram ao pódio todos os dias da competição e lideraram o quadro geral de medalhas desde o dia inicial de provas. Nossos atletas terminaram a competição com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, com um total de 44 medalhas. Os chineses ficaram na segunda colocação, com 13 ouros, 22 pratas e 17 bronzes, sendo 52 no total. Esta é somente a segunda vez na história em que a China perde a liderança do quadro de medalhas ao final da competição.
Confira abaixo a evolução do Brasil nos mundiais da categoria:
Nova Déli – 1º lugar (15 ouros, 20 pratas e 9 bronzes)
Kobe 2024 – 2º lugar (19 ouros, 12 pratas e 11 bronzes)
Paris 2023 – 2º lugar (14 ouros, 13 pratas e 20 bronzes)
Dubai 2019 – 2º lugar (14 ouros, 9 pratas e 16 bronzes)
Londres 2017 – 9º lugar (8 ouros, 7 pratas e 6 bronzes)
Doha 2015 – 7º lugar (8 ouros, 14 pratas e 13 bronzes)
Lyon 2013 – 3º lugar (16 ouros, 10 pratas e 14 bronzes)
Christchurch 2011 – 3º lugar (12 ouros, 10 pratas e 8 bronzes)
Assen 2006 – 19º lugar (4 ouros, 11 pratas e 10 bronzes)
Na Copa do Mundo de Vôlei Sentado disputada em Indiana, nos Estados Unidos, o Brasil conquistou duas medalhas de prata com suas equipes masculina - derrotada pelo Egito na final por 3 sets a 1 - e feminina - superada por 3 sets a 2 pelas donas da casa.
Na Copa América de Futebol PC, a seleção brasileira venceu o Canadá por 9 a 0 e obteve a medalha de bronze. A disputa ocorreu em Punta del Este, no Uruguai. Com o resultado, o Brasil conquistou uma das vagas do continente para a disputa do Mundial, que será realizado no ano que vem.
No Campeonato Mundial de Triatlo, o país conquistou duas medalhas de bronze. No último sábado, 18, a medalha chegou no revezamento misto por equipes, realizado em Wollongong, na Austrália, prova que pode fazer parte do programa dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
A equipe composta por Jéssica Ferreira (PTWC, para atletas cadeirantes), Jorge Fonseca (PTS2, limitações físico-motoras)), Letícia Freitas (PTVI, deficiência visual) e Ruiter Gonçalves (PTS5, limitações físico-motoras) encerrou a prova em terceiro lugar, com o tempo total de 54min15s, garantindo o pódio atrás apenas dos Estados Unidos (52min51s) e da Austrália (53min12s).
A paulista Jéssica Ferreira já havia conquistado outra medalha de bronze na prova individual da classe PTWC (cadeirantes), realizada um dia antes no mesmo local, completando o percurso com o tempo de 1h12min45.
No Mundial de Halterofilismo realizado no Cairo, no Egito, o Brasil conquistou seu melhor desempenho na história da competição com seis medalhas no total: um ouro, três pratas e dois bronzes. Cinco delas vieram nas provas individuais e uma na disputa por equipes. O resultado superou o recorde anterior, alcançado em Dubai 2023, quando o país conquistou quatro medalhas. O resultado colocou o Brasil na quinta colocação, logo atrás do Irã (4º), Egito (3º), Nigéria (2º) e China, campeã da competição com 10 ouros, 3 pratas e 2 bronzes.
Já no Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista, que chegou ao fim no domingo (19), no Velódromo Olímpico do Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira conquistou duas medalhas de prata nas provas de eliminação das classes C1 e C2 (atletas que utilizam bicicletas convencionais). As medalhas foram obtidas pela paranaense Victória Barbosa e pela paulista Sabrina Custódia. O Brasil encerrou o Mundial na nona posição, uma evolução em relação à edição anterior, realizada em 2024, também no Rio de Janeiro, quando o país terminou em 13º lugar.
Lembrando ainda que nos últimos Jogos Paralímpicos, o Brasil terminou a competição em quinto lugar do quadro geral com 89 medalhas no total, sendo 25 de ouro, 26 de prata e 38 de bronze, bem a frente dos atletas que disputaram a competição convencional, que finalizaram o evento em 20º lugar.
Desde a criação do Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, a evolução dos atletas nacionais é nítida e pode ser mensurado pelos seus resultados. E esse é mais um exemplo de como a organização, a gestão adequada, e a criação de estruturas e condições de alto nível apenas favorecem o país, suas competições e seu povo.
Ricardo Abel
Articulista de Esportes e
Jornalista com experiência em assessoria de comunicação e mídias como Veja SP
@ricardoabell