São Paulo, 06 de outubro de 2025 - A busca por transplantes capilares cresce em todo o mundo, mas a promessa de pacotes de baixo custo pode esconder sérios riscos à saúde. De acordo com o Censo 2023 da Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar (ABCRC), 12% dos especialistas entrevistados já atenderam pacientes que precisaram corrigir procedimentos feitos por profissionais não habilitados ou clínicas clandestinas. O levantamento aponta ainda que 15% dos pacientes tiveram que refazer o procedimento, o que resultou em maiores gastos e desgaste emocional1.
Embora países como Reino Unido e Turquia já tenham publicado guias mínimos de segurança para viajantes, nem sempre esses protocolos são seguidos na prática. Em destinos de turismo capilar, como a Turquia, ainda é possível encontrar clínicas que não atendem a padrões internacionais de segurança e estrutura adequada, que deixam de oferecer acompanhamento médico pós-procedimento ou que atuam em ambientes sem controle rigoroso de higiene. Técnicas mal executadas e falhas no cuidado posterior comprometem tanto a saúde dos pacientes quanto os resultados estéticos.
Segundo a dermatologista Dr. Anna Cecília Andriolo, presidente da ABCRC, os riscos incluem desde infecções graves, abscessos e até cicatrizes excessivas e padrões de implantação não naturais. “O transplante capilar exige ambiente estéril, técnica especializada e conhecimento profundo de restauração folicular. Procedimentos feitos por profissionais não licenciados frequentemente resultam em linhas capilares artificiais, falhas de densidade e baixa taxa de sobrevivência dos fios transplantados”, alerta.
Dr. Márcio Volkweis, dermatologista e tesoureiro da ABCRC, reforça que a ausência de formação médica específica também compromete etapas críticas do procedimento. “Técnicas de anestesia mal aplicadas podem causar dor intensa e reações adversas. Além disso, realizar um transplante com indivíduos não habilitados expõe o paciente a riscos legais e éticos, já que em muitos países esse tipo de prática é rigidamente regulado”, afirma.
Segurança x risco: a diferença está no cuidado
Estimativas oficiais da USHAŞ (International Health Services, Turquia) apontam que, em 2023, o país recebeu cerca de 1,54 milhão de pacientes internacionais, movimentando US$ 3,0 bilhões em turismo de saúde2.
Nesse cenário, especialistas reforçam que o custo não pode ser o único critério. Mais do que preços atrativos, a diferença entre um transplante seguro e um procedimento arriscado está no cuidado: atendimento personalizado, segurança clínica, técnicas modernas e acompanhamento adequado.
Recomendações da ABCRC
A ABCRC disponibiliza recomendações oficiais para orientar pacientes na hora de escolher onde realizar um transplante capilar. Essas orientações estão acessíveis no site oficial da associação e em suas redes sociais, oferecendo informações confiáveis sobre credenciais médicas, protocolos de segurança e boas práticas no cuidado com a saúde capilar.
Entre os principais pontos, destaca-se a necessidade de verificar as credenciais do cirurgião responsável, confirmar o credenciamento da clínica, avaliar condições de higiene e segurança e garantir acompanhamento pós-operatório adequado. A ABCRC também ressalta a importância de priorizar resultados naturais e a preservação da saúde capilar a longo prazo.
“Nosso papel é garantir que o paciente esteja bem informado e protegido. Transplante capilar é um procedimento médico, que deve ser feito com critério e responsabilidade”, reforça Andriolo.
Referências:
SOBRE A ABCRC
A ABCRC é uma associação sem fins lucrativos, composta por médicos que fazem a cirurgia de Restauração Capilar. Foi fundada em 1º de março de 2003, e tem por objetivo congregar os profissionais médicos que atuam em restauração capilar no Brasil – especificamente, cirurgiões plásticos e dermatologistas – trabalhando para propiciar os melhores meios para a atualização científica e garantindo sua defesa profissional.
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CAMILLA CONDE
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