Não é de hoje que se ouve falar do adoecimento dos professores no Brasil. Mas parece que, quanto mais se fala, menos se resolve. Síndrome de Burnout, crises de ansiedade, depressão, insônia, pressão alta. Os diagnósticos de acumulam e precisam ser atualizados, enquanto as soluções permanecem tímidas ou paliativas.
A causa não é única, e é nítido que a problemática é social e coletiva, não dizendo respeito apenas à profissão docente, mas a docência enfrenta desafios inéditos e intensos, por tratar diretamente com os agentes que já estão no futuro: os alunos.
No cenário Brasil, verificamos em geral, fatores como falta de reconhecimento, violência escolar, cobranças de todos os lados e, sobretudo, a sensação de estar tentando ensinar em um cenário onde a escola é, muitas vezes, a única a tentar este feito.
O professor já não é apenas professor: é mediador, ‘psicólogo’ improvisado, gestor de sala, socorrista emocional. E tudo isso, sem o respaldo social (e muitas vezes insitucional) que a complexidade da profissão exige. É como pedir a alguém que salve o barco, mas sem lhe dar os remos... e o colete salva-vidas!
Cuidar do professor é cuidar da educação. Isso envolve políticas públicas consistentes, mas também atitudes locais, como escuta, valorização, formação contínua, ambientes saudáveis, redução de tarefas improdutivas. Não há escola forte com professor fraco, nem futuro promissor com ensinadores esgotados.
Precisamos resgatar a dignidade e a honra da docência. E rápido, muito rápido.
Bom futuro a todos nós!
Marcio Scarpellini
É cientista social, pedagogo, diretor escolar do Colégio Ouro Preto.
@marcioscarpellinivieira