"O bullying é constante e ser gago não é engraçado"

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira, realizado nesta terça (22), visa promover a conscientização sobre o distúrbio, que ainda enfrenta estigmas e preconceitos na sociedade.

Por TINTEIRO ASSESSORIA DE IMPRENSA
5 Min

"O bullying é constante e ser gago não é engraçado"
Divulgação

A gagueira é um distúrbio que afeta milhões de pessoas no Brasil, e sua compreensão é fundamental para promover a saúde e o bem-estar de quem está enfrentando o problema. No Dia Internacional da Gagueira, especialistas como a Dra. Cristiane Romano, fonoaudióloga e especialista em expressividade, enfatiza a importância da comunicação aberta sobre o tema e o impacto positivo de um tratamento adequado.
Caracterizada por interrupções no fluxo contínuo da fala, também chamada de disfluência, a gagueira pode se manifestar na forma de repetições de sílabas, prolongamentos de sons ou bloqueios. Embora possa começar na infância, muitas vezes se estende para a vida adulta, afetando a capacidade de comunicação e a autoestima das pessoas. A Dra. Cristiane explica que o tratamento precoce é fundamental para garantir melhores resultados e evitar que o distúrbio prejudique o desenvolvimento pessoal e profissional.

Impactos da gagueira e a necessidade de ajuda profissional

Infelizmente, o estigma social e a falta de conhecimento sobre a gagueira podem resultar em situações de bullying e discriminação. “Cheguei ao meu limite. É muito difícil se sentir um estranho em meio às pessoas, como se todos estivessem observando minha fala e criticando cada palavra. Sei que não sou o único; muitas pessoas sofrem com a gagueira. O bullying é constante, com termos como 'gaguinho' e imitações que alguns acham engraçadas, mas que, na verdade, machucam profundamente. Só quem passa por isso conhece a dor que tudo isso causa”, relata Henrique, que decidiu buscar ajuda profissional após o incentivo de um amigo. A Dra. Cristiane Romano complementa: “Muitos não percebem que é possível melhorar e, por isso, adiam a busca por ajuda que só acontece diante das dificuldades no mercado de trabalho ou pelo desgaste emocional pelo qual estão passando."

Dados recentes e a importância do tratamento

De acordo com a Associação Brasileira de Gagueira (AbraGagueira) , cerca de 5% da população infantil gagueja na fase inicial , mas a maioria dos casos apresenta remissão, ou seja, pode melhorar sem intervenção. Contudo, a Dra. Cristiane Romano alerta: “Não se pode esperar que vai passar. Quanto antes a intervenção, maior a chance de progresso.”
Dentre os tratamentos, a fonoaudiologia se torna essencial. A Dra. Cristiane recomenda que crianças e adultos que enfrentam a gagueira busquem apoio profissional para avaliação e treinamento, incluindo, mas não se limitando a:

  1. Exercícios de respiração e relaxamento: ajuda a controlar a ansiedade ao falar;
  2. Acompanhamento fonoaudiológico: avaliações regulares para adaptar o tratamento às necessidades individuais;
  3. Grupos de apoio: oferecer um ambiente de suporte emocional e social;

Movimento pela legislação: projeto de lei da Abragagueira

No Senado o projeto de lei proposto pela Associação Brasileira de Gagueira – Abragagueira foi arquivado em definitivo, conforme disposto no Regimento Interno do Senado Federal, em seu artigo 332, § 1º. O Projeto de Lei 311/2018, tinha como objetivo “Alterar a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência), para incluir as dificuldades de comunicação e expressão no rol dos impedimentos que caracterizam uma pessoa com deficiência".
Esse arquivamento, conforme as normas do Regimento Interno do Senado, ocorre ao final da legislatura seguinte à apresentação do projeto, caso a tramitação não tenha sido concluída. O PLS 311/2018 foi apresentado em junho de 2018 e, com o término da legislatura em dezembro daquele ano, passou a ser parte da nova legislatura que começou em fevereiro de 2019. Para evitar o arquivamento definitivo, seria necessário que um Senador solicitasse o desarquivamento, acompanhado do apoio de outros 27 senadores.
Apesar da decisão do Senado, a Abragagueira continua a atuar nas esferas municipal, estadual e federal, elaborando, apresentando e promovendo a aprovação de projetos de lei que garantem dignidade, respeito e direitos, incluindo melhor acesso a tratamentos  para todas as pessoas que gaguejam em todo o Brasil.
“A gagueira não é apenas uma questão individual, mas uma questão social que precisa ser abordada por meio de políticas públicas. Garantir que cada indivíduo tenha acesso ao apoio e tratamento necessário é fundamental para promover a inclusão e melhorar a qualidade de vida”, destaca a Dra. Cristiane.

Sobre a Dra. Cristiane Romano:

  • Especialista em comunicação, com mestrado e doutorado em Expressividade pela USP.
  • Pós-graduada em Voz pelo CEFAC - BH e em Gestão Estratégica de Marketing pela PUC Minas.
  • Formada em Business and Executive Coaching pela University of Ohio - EUA.
  • Autor de diversos artigos científicos nacionais e internacionais.

Ao longo de sua carreira, a Dra. Cristiane têm capacitado profissionais, ajudando-os a aprimorar suas habilidades comunicativas e, assim, aumentar sua influência e persuasão em diversos contextos.


 

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PAULO NOVAIS PACHECO
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