Quando a inteligência artificial deixa de ser tendência e começa a gerar lucro no foodservice

Por PIAR GROUP
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*Por Ricardo Longa

Um erro recorrente quando falamos sobre inteligência artificial no foodservice é imaginar que ela chegou para substituir pessoas. Na prática, a tecnologia está assumindo um papel muito mais estratégico e menos fantasioso. O que realmente gera resultado não é a adoção da IA pela novidade, mas sua capacidade de eliminar desperdícios, antecipar demandas e tornar a operação mais eficiente.

O setor convive diariamente com margens apertadas, alta rotatividade de profissionais, custos variáveis e uma pressão crescente por agilidade. Nesse contexto, qualquer decisão tomada sem dados custa caro. E é justamente aí que a inteligência artificial começa a fazer diferença.

Os usos mais relevantes não estão em robôs ou em soluções complexas, mas em aplicações que muitas vezes passam despercebidas pelo consumidor final. Prever a demanda de determinados produtos, ajustar estoques com mais precisão, otimizar rotas de entrega, identificar gargalos operacionais e entender padrões de consumo são alguns exemplos que já impactam diretamente a rentabilidade dos negócios.

O ganho financeiro acontece porque a IA reduz erros que, isoladamente, parecem pequenos, mas que somados ao longo do mês, representam perdas significativas. Um pedido entregue fora do prazo, uma compra excessiva de insumos, uma equipe mal dimensionada ou uma ruptura de estoque têm um custo elevado para a operação.

Ao mesmo tempo, a tecnologia permite que gestores deixem de atuar apenas apagando incêndios e passem a tomar decisões mais estratégicas. A inteligência artificial não substitui a experiência humana, mas amplia a capacidade de análise e torna a gestão menos baseada em percepção e mais orientada por evidências.

Acredito que existe uma mudança importante acontecendo na forma como o setor enxerga a tecnologia. A busca já não é pela solução mais inovadora, mas pela mais útil. Em um mercado em que alguns minutos de atraso, uma compra mal planejada ou uma decisão tomada sem informação podem comprometer o resultado do mês, ferramentas capazes de aumentar a precisão da operação deixam de ser um diferencial e passam a fazer parte da estratégia do negócio.

Finalizo destacando que a inteligência artificial não resolve todos os problemas do foodservice, mas ajuda a resolver alguns dos mais caros. E, em um segmento acostumado a trabalhar sob pressão diariamente, essa talvez seja a sua maior contribuição.

*Ricardo Longa é CEO da voa.delivery, hub logístico completo que leva inteligência às operações de delivery, gerando eficiência financeira e operacional para restaurantes. A startup já intermediou mais de 2 milhões de entregas, atende mais de 3.000 restaurantes em todo o Brasil, conta com 10.000 entregadores cadastrados e registra um tempo médio de 1 minuto e meio para que os estabelecimentos encontrem os entregadores mais adequados. Recentemente, a voa.delivery iniciou operações em Porto Alegre e agora está presente nas três capitais da Região Sul, reforçando sua estratégia de expansão e consolidação regional.

 

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