Noélli Santiágo - Especialista explica por que tirar férias nem sempre é sinônimo de descanso e como a presença consciente pode promover mais bem-estar
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O mês de julho está terminando e, para muitas pessoas, as férias também. Depois de viagens, passeios ou dias longe da rotina, nem todos voltam com a sensação de energia renovada. E essa uma situação é cada vez mais comum: muita gente volta para casa sentindo que o descanso não aconteceu de verdade. A explicação pode estar no fato de que descansar não depende apenas de mudar de cenário, mas também da forma como a mente responde ao estresse acumulado e como consegue desacelerar.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse crônico e a síndrome de burnout estão entre os principais desafios relacionados à saúde na atualidade. Estudos na área da neurociência também mostram que o cérebro não muda automaticamente seu estado apenas porque mudamos de ambiente. Quando permanecemos em constante estado de alerta, nossa capacidade de relaxar também fica comprometida. Para a especialista em reprogramação mental e desenvolvimento da consciência, Noélli Santiágo, talvez a pergunta mais importante não seja "para onde vamos nas férias?", mas "de onde estamos tentando fugir?". "O descanso não resolve aquilo que nunca foi apenas cansaço." Segundo ela, existe uma diferença importante entre interromper a rotina e realmente desacelerar. "É possível viajar milhares de quilômetros e continuar preso aos mesmos pensamentos, às mesmas preocupações e ao mesmo ritmo mental. O corpo muda de lugar, mas a consciência continua vivendo da mesma forma." Nos últimos anos, pesquisas sobre atenção plena (mindfulness) têm demonstrado benefícios importantes relacionados à redução do estresse, ao fortalecimento da autorregulação emocional e à capacidade de permanecer presente. Mais do que uma tendência, a presença passou a ser compreendida como um recurso importante para promover equilíbrio e bem-estar. Para Noélli, porém, essa reflexão vai além das técnicas de relaxamento. "Durante muito tempo acreditamos que o novo luxo seria ter tempo. Hoje penso diferente. O verdadeiro luxo é conseguir estar inteiro onde a vida está acontecendo." Ela explica que a pausa não representa o oposto da produtividade. "Os momentos de pausa não diminuem a produtividade. São eles que tornam uma produtividade saudável possível. É no silêncio que reorganizamos prioridades. É quando respiramos que recuperamos clareza para decidir, criar e viver com mais intenção." Essa perspectiva muda a forma de enxergar o descanso. Em vez de representar apenas uma fuga da rotina, as férias podem se tornar uma oportunidade de reconexão consigo mesmo. "O problema não está naquilo que buscamos. Está na ordem em que aprendemos a buscar. Aprendemos a produzir antes de respirar, a conquistar antes de sentir, a correr antes de perceber quem estamos nos tornando. Em algum momento, o corpo e a mente nos convidam a reorganizar essa ordem." Na prática, essa mudança não depende apenas das férias. "Nem toda pausa precisa durar uma semana. Às vezes, cinco minutos de presença verdadeira têm mais poder de transformação do que dias inteiros vividos no piloto automático." Mais do que um período de descanso, julho pode servir como um convite para repensar a relação com o tempo, a produtividade e o autocuidado. Afinal, descansar não significa apenas parar. Significa recuperar a capacidade de estar presente onde a vida realmente acontece. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
ALESSANDRA GARCINDO DAYRELL
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