Há 20 anos no Brasil, Red Hat reforça papel do open source na próxima fase da IA

Líderes da empresa trazem um panorama desde o início das operações, o amadurecimento do cenário empresarial no país e o futuro da colaboração, infraestrutura aberta e inteligência artificial

Por ERIC REALE
6 Min

Há 20 anos no Brasil, Red Hat reforça papel do open source na próxima fase da IA
Red Hat

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma disciplina desconhecida entre empresas para se tornar uma solução primordial para escalar a tecnologia com governança, integração e infraestrutura adequada. Não à toa, um estudo global da Deloitte com executivos brasileiro aponta que 42% das companhias no país já utilizam IA para promover mudanças estruturais em seus negócios, ficando acima da média mundial corporativa. 

Esse movimento consolida uma transformação iniciada muito antes da popularização da IA generativa: a adoção de plataformas abertas e arquiteturas interoperáveis para destravar a inovação em escala. 

Hoje, soluções de código aberto fazem parte não só da infraestrutura de empresas internacionais ou de serviços digitais utilizados diariamente por milhões de brasileiros, como também são símbolos de uma cultura colaborativa vibrante. “O mercado local passou por uma transformação importante nos últimos vinte anos. O open source deixou de ser visto apenas como uma opção para se tornar um catalisador da  inovação, reduzindo dependências tecnológicas e ampliando a capacidade de adaptação das empresas diante das mudanças do mercado”, afirma Gilson Magalhães, que atuou como presidente da Red Hat no Brasil por 11 anos e assumiu em 2024 o cargo de Vice-Presidente e General Manager da empresa para a América Latina.

Em sua avaliação, a próxima etapa da transformação digital deve ser menos marcada pela disputa entre modelos isolados de IA e mais orientada à capacidade das companhias de integrar diferentes tecnologias, dados, ambientes operacionais e ecossistemas organizacionais. “A discussão sobre inteligência artificial não envolve apenas acesso a modelos avançados. Existe uma demanda crescente por governança, integração, transparência e capacidade de adaptação. À medida que a IA avança para aplicações e soluções críticas, cresce também a necessidade de plataformas abertas que permitam maior interoperabilidade e controle tecnológico”, diz Magalhães.

Nas últimas décadas a transformação digital esteve concentrada principalmente na modernização da infraestrutura. Hoje,o foco é incluir ambientes capazes de sustentar aplicações inteligentes em escala. Em outras palavras, a colaboração aberta segue como um diferencial estratégico para acelerar inovação e reduzir dependências tecnológicas.

“A experiência dos últimos anos mostrou que ambientes mais abertos favorecem a interoperabilidade, colaboração e inovação contínua. Isso se torna ainda mais relevante em um cenário no qual empresas precisam integrar diferentes plataformas, dados e aplicações para escalar projetos de  tecnologia e, em especial, de IA”, afirma Sandra Vaz, Presidente da Red Hat Brasil desde janeiro de 2025. 

No entendimento da Red Hat, a inteligência artificial amplia a importância da transparência tecnológica e da governança sobre modelos, dados e infraestrutura. Ainda para a empresa, plataformas abertas oferecem maior capacidade de auditoria, flexibilidade operacional e integração entre ambientes distintos: fatores considerados estratégicos para organizações que precisam equilibrar inovação, segurança e conformidade regulatória. 

Além do avanço conceitual do open source no país, projetos de grande escala também ajudaram a consolidar a maturidade dessas tecnologias no mercado brasileiro. Entre os exemplos está o ambiente de transformação digital do Bradesco, que utiliza soluções como OpenShift e automação para sustentar operações em nuvem híbrida e serviços digitais em larga escala para milhões de clientes. Outro caso frequentemente citado pela companhia envolve a infraestrutura tecnológica associada ao sistema do Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, apoiado em arquiteturas abertas voltadas à escalabilidade, automação e alta disponibilidade. 

Sandra Vaz acredita que o país chega à atual fase de expansão da inteligência artificial em uma posição diferente daquela observada no início dos anos 2000. “O Brasil construiu, ao longo dos últimos anos, um ecossistema tecnológico muito mais preparado para inovação. Hoje existe maturidade em áreas como nuvem híbrida, automação e desenvolvimento de plataformas digitais. Isso cria uma base importante para acelerar o uso corporativo da inteligência artificial nos próximos anos”, conclui.

Ao longo dessas duas décadas, a trajetória da Red Hat no Brasil acompanhou a própria evolução do mercado de tecnologia no país. Quando iniciou suas operações locais, em 2006, a empresa apostou no potencial de expansão do open source na América Latina por meio do Linux, e na crescente demanda de organizações públicas e privadas por soluções abertas, escaláveis e com suporte corporativo. Desde então, ampliou sua atuação em áreas como nuvem híbrida, automação e inteligência artificial, reforçando diariamente seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico do país, com a formação de ecossistemas colaborativos e com a inovação baseada em código aberto. 

“Quando chegamos ao país em 2006, nos comprometemos a apoiar o ecossistema tecnológico local. Hoje, 20 anos depois, seguimos alinhados à esse mesmo propósito. As soluções evoluíram, a TI ganhou protagonismo, mas o nosso foco segue o mesmo: levar o open source às empresas e ao setor público, contribuindo para que possam desenvolver projetos inovadores e de grande impacto para a sociedade", finaliza Sandra Vaz.


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ERIC REALE FINGER
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