Beatriz Sano e Cristian Duarte, dois dos mais relevantes nomes da dança contemporânea brasileira, inauguram a TECTÔNICA, nova plataforma de dança e movimento do Instituto Capobianco

Por KARINA MANCINI
15 Min

Beatriz Sano e Cristian Duarte, dois dos mais relevantes nomes da dança contemporânea brasileira, inauguram a
Divulgação

O Instituto Capobianco recebe, ao longo do mês de julho, dois dos mais relevantes nomes da dança contemporânea brasileira, Beatriz Sano e Cristian Duarte, em residências artísticas simultâneas que inauguram a TECTÔNICA, nova plataforma dedicada à dança e ao movimento. 

A iniciativa inaugura um formato inédito de ocupação artística, marcando a primeira produção autoral do Instituto Capobianco após sua reabertura. Ao longo das residências, Beatriz Sano e Cristian Duarte apresentam, ao todo, seis espetáculos de repertório, duas aberturas de processo, dois workshops e a Mostra Cinestesia, com a exibição de três filmes. A programação inclui ainda ações voltadas ao encontro entre artistas e público, incluindo uma intervenção urbana e uma atividade participativa em dança entre os dois artistas.

“Assim como as forças tectônicas transformam a paisagem de maneira lenta e muitas vezes invisível, acreditamos que a dança e o movimento também têm a capacidade de produzir deslocamentos profundos nas formas como percebemos, convivemos e habitamos o mundo. A TECTÔNICA nasce desse entendimento: como uma plataforma dedicada ao corpo em movimento, à criação artística e aos encontros que geram novas possibilidades de pensamento, presença e relação com o nosso tempo.”, ressalta Mariano Mattos Martins, programador do Instituto Capobianco.

Cristian Duarte e Beatriz Sano desenvolvem trajetórias distintas e complementares na dança contemporânea, ambas marcadas pela investigação do corpo em relação ao movimento, à linguagem e aos processos colaborativos de criação.

Beatriz Sano desenvolve trabalhos com ênfase nas relações entre voz e movimento, em parcerias contínuas com artistas como Eduardo Fukushima, Júlia Rocha e Isabel Ramos Monteiro, consolidando uma trajetória de circulação e projeção nacional e internacional por meio de residências, festivais e colaborações entre Brasil, Japão e Europa. “Penso que a movimentação das placas tectônicas, essa constante instabilidade da superfície, é uma metáfora para não esquecermos que as matérias estão vivas, em movimento e em fluxo. A residência também será uma forma de aprofundar processos artísticos que ficaram incompletos e de dar visibilidade a obras que tiveram pouca circulação. Com certeza, ela abre a possibilidade para uma outra experiência, vivida no tempo presente e imaginada a partir do que ainda pode ser possível — em transformação, na invenção e como uma maneira de habitar o mundo”, destaca a artista Beatriz Sano.

Já Cristian Duarte constrói uma prática voltada à criação de plataformas independentes de experimentação em dança, articulando projetos, formações e processos coletivos por meio de Cristian Duarte /em companhia, iniciativa dedicada a produzir contextos de pesquisa, criação e convivência em dança contemporânea na cidade de São Paulo. "O que mais me emociona neste convite é a confiança que existe por trás dele. O Instituto Capobianco não nos convidou para apresentar um espetáculo específico. Nos convidou para imaginar, junto com a instituição, o que essa residência poderia ser. E o que torna esta residência especial é a possibilidade de construir coletivamente um contexto para a dança", observa Cristian Duarte.

A plataforma se estrutura como um espaço contínuo de pesquisa, criação e desenvolvimento de linguagem, reafirmando o compromisso do Instituto Capobianco com a produção artística contemporânea e ampliação de seu campo de atuação.

TECTÔNICA _ Apresentações e Abertura de Processo

Beatriz Sano realiza, de 17 a 19 de junho, a abertura de processo de Imagine Aqui, pesquisa desenvolvida a partir de uma residência artística em Kinosaki, no Japão, que explora as relações entre voz, gesto, movimento e memória a partir da experiência de habitar diferentes territórios. Realizada em colaboração com Isabel Ramos Monteiro e Júlia Rocha, em TECTÔNICA, a investigação se desdobra no contexto de São Paulo, ampliando o percurso iniciado em Situação de Experimentação no qual reúne dança, vídeo e sonoridades para refletir sobre deslocamentos, paisagens e a construção de imaginários contemporâneos.

Um extraordinário canto experimental e Cair serão apresentados entre 3 e 5 de julho e de 10 a 12 de julho. Um extraordinário canto experimental de Beatriz Sano mergulha nas relações entre voz e movimento a partir de partituras vocais e gestuais construídas pela repetição, transformando pequenos gestos e sons em matéria coreográfica e revelando a potência expressiva do mínimo. E o espetáculo Cair, de Eduardo Fukushima, um dos principais nomes da dança contemporânea no Brasil, investiga o desequilíbrio e a iminência da queda como forças propulsoras do movimento. Ao longo da obra, o performer permanece em um estado contínuo de desequilíbrio, atravessando inúmeras quedas do corpo e percorrendo os vetores da queda, de cima para baixo.

Cristian Duarte /em companhia  apresenta a obra Presentes entre 3 e 5 de julho, que articula fala, movimento e imaginação na construção coletiva de hipóteses e paisagens que transitam entre realidade e ficção. Em cena, a experiência se constrói como uma dança-manifesto, afirmando a experimentação como prática crítica, e convidando à invenção de novos modos de trabalhar a percepção e a convivência. Morde como um cão, apresentado nos dias 10 e 11 de julho, propõe uma dança intensa e instável, marcada pela tensão entre permanência e ruptura.

A programação segue com Tudo Vira, apresentado nos dias 12 e 17 de julho, obra  para três intérpretes que investiga as relações entre geometria e emoção. A partir da repetição, o trio cria dinâmicas em constante transformação, explorando diferentes percepções de tempo, espaço e coexistência. E o dueto Me Envenena, Vem Cá, nos dias 18 e 19 de julho, um dueto que reverbera corpo-verborragicamente uma dança contaminada pelos ritmos e excessos da comunicação contemporânea.

Encerrando a programação, no dia 23 de julho, a companhia apresenta a abertura de processo de Queima, obra que parte da transmissão do solo The Hot One Hundred Choreographers (2011) para a dançarina Aline Bonamin, parceira artística de Cristian Duarte desde 2012. Ao longo desse período, Cristian e Aline vêm construindo um campo de investigação compartilhada que hoje sustenta o desenvolvimento da pesquisa coreográfica. Em uma nova versão, desenvolvida durante a Residência artística no Instituto Capobianco, a obra mergulha em mais uma fase investigativa de sua criação e seguirá em desenvolvimento até 2027.

Workshops

Além da programação artística, a TECTÔNICA amplia seus espaços de troca e formação com workshops gratuitos conduzidos pelos artistas residentes, voltado a estudantes e profissionais das artes cênicas e do corpo. As atividades propõem investigações sobre corpo, movimento, escuta e criação coletiva, aproximando público e artistas em processos compartilhados de experimentação. As inscrições para os workshops são gratuitas e podem ser realizadas pelo site institutocapobianco.art.br. As atividades são voltadas a artistas, estudantes e pessoas com experiência prévia em dança, teatro ou artes performativas interessadas em experimentar pesquisas em composição, improvisação e práticas coreográficas.

Práticas de Respiração e Movimento, com Beatriz Sano, será realizado nos dias 7, 14 e 21 de julho, das 15h às 17h. Com 12 vagas, o workshop propõe uma investigação sobre percepção corporal por meio de práticas asiáticas como seitaiho, chi kung e tai chi, combinadas a exercícios de voz, toque, vibração e improvisação em dança. Já Sempre Junto e Nunca Igual, com Cristian Duarte /em companhia, será realizado em três encontros — nos dias 8, 15 e 22 de julho, das 10h às 12h. Com 20 vagas, o workshop propõe práticas coletivas de movimento baseadas em repetição, continuidade e escuta, investigando formas de coexistência que preservem singularidades, diferenças e modos diversos de estar em grupo.

Mostra Cinestesia

A Mostra Cinestesia propõe um encontro entre dança e audiovisual, reunindo três filmes exibidos no teatro do Instituto Capobianco em uma programação que expande a experiência para além da tela. As sessões serão acompanhadas por ações performativas, dança, baile, encontros entre artistas e público e intervenções que extrapolam o espaço cênico, ocupando também as ruas do entorno do Instituto Capobianco.

No dia 24 de julho, sexta, às 19h, acontece Em Silêncio com Dolls, com Beatriz Sano, uma ativação sensorial que antecede a exibição de Dolls, de Takeshi Kitano. Ali mesmo no teatro, o público é convidado a fazer uma prática meditativa, fechar os olhos e se concentrar na respiração. A proposta busca instaurar um estado de presença que reverbera na experiência do filme, criando uma continuidade entre o espaço real e o universo imagético e contemplativo da obra.

No sábado, 25 de julho, às 19h, acontece O Baile com um Baile, uma articulação conjunta entre Beatriz Sano e Cristian Duarte, desenvolvido ao longo das Residências artísticas e inspirado no clássico O Baile, de Ettore Scola. Após a exibição do filme, o público é convidado a ocupar, junto aos artistas, a sala no subsolo do Instituto Capobianco para um baile, transformando o espaço em uma pista compartilhada, onde encontro, dança e música são o ponto de partida para a criação de uma experiência coletiva. A proposta é reverberar, em conjunto, as condições dos encontros, danças e modos de convivência na atualidade, independentemente do tipo de pista que venha a se formar.

Encerrando a mostra e a Residência Artística, Cristian Duarte /em companhia apresenta a ação performativa Jamzz, no domingo, 26 de julho, às 16h. Encerrando a mostra e a Residência Artística, Cristian Duarte /em companhia apresenta a ação performativa Jamzz, no domingo, 26 de julho às 15h, em uma versão inspirada no documentário Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, sobre o grupo que revolucionou comportamento, música e performance no Brasil. Após a exibição do filme, o público é convidado a participar de uma improvisação conduzida por Cristian Duarte junto a um grupo de 12 performers e 1 DJ. Com uma estética que remete ao universo do Jazz Dance, a ação transforma o espaço urbano em um território de encontro, experimentação e celebração. A trilha sonora dará especial atenção à música brasileira — dos anos 1970 aos dias atuais — reunindo nomes como Ney Matogrosso, Rita Lee, Tim Maia, Gal Costa, Sandra de Sá, Marina Lima, Frenéticas, Sidney Magal, Liniker, entre outros. 

Sobre o Instituto Capobianco 

Localizado na região central da cidade de São Paulo, o Instituto Capobianco desenvolve um incansável trabalho de estímulo e fomento ao teatro e às artes, com ênfase em projetos artísticos voltados ao desenvolvimento de linguagem, e capazes de projetar olhares e pensamentos plurais sobre a contemporaneidade. Com ação continuada neste campo,  o Instituto atua como uma incubadora de processos de criação, acessível a todos os públicos, tendo participado como incentivador do trabalho de diversos artistas e grupos teatrais brasileiros ao longo de sua trajetória.

Em 2025, após um período de reestruturação, o espaço reabriu com uma proposta de Residência Artística, composta por atividades ininterruptas ao longo de 10 meses, com uma das companhias teatrais de maior significância no cenário teatral da cidade de São Paulo: a mundana companhia. Em 2026, as residências são renovadas com as ocupações do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, durante o primeiro semestre, e do Núcleo do Olho, de Janaina Leite, no segundo semestre. 

Café Capô

No subsolo do Instituto Capobianco, o público encontra o Café Capô, espaço pensado para ampliar a experiência para além da sala de espetáculo e incentivar encontros entre artistas, público e equipes. Operado pela cozinheira  Ariana Turca, à frente do Dasturca, o café apresenta um cardápio sazonal autoral que transforma gastronomia, convivência e permanência em extensão da experiência artística. Antes e depois das apresentações, o Café Capô estará aberto ao público, oferecendo um ambiente de encontro, convivência e troca entre artistas, espectadores e frequentadores do Instituto.

Serviço
TECTÔNICA 

Residência artística com Beatriz Sano e Cristian Duarte /em companhia 

Temporada: de 03 a 26 de JULHO de 2026

Onde: Instituto Capobianco

R. Álvaro de Carvalho, 97 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP

Ingressos: R$30 inteira | R$15 (meia) 

IMPORTANTE: Cada ingresso é válido para uma data específica e dá acesso a todo o programa da noite correspondente. Ao adquirir um ingresso para determinada data, o público poderá assistir a todas as apresentações e atividades previstas para aquela noite.

 

A classificação indicativa de cada dia é definida pela atividade com a classificação etária mais alta da programação correspondente. Assim, mesmo que algumas atividades sejam livres ou recomendadas para faixas etárias inferiores, prevalecerá a classificação mais restritiva do conjunto de atividades do dia. Recomendamos consultar a classificação indicativa das atividades antes de realizar a compra.

As inscrições para os workshops são gratuitas e devem ser feitas previamente pelo site  www.institutocapobianco.art.br

Bilheteria - Horário de funcionamento: 1h30 hora antes da apresentação

Instagram: @institutocapobianco

Site: www.institutocapobianco.art.br

Café Capô
Sextas e sábados:  18h30 - 1h30

Domingos: 16h30 - 23h30


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KARINA MANCINI DE CANHA
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