Por que alguns jogadores sofrem tantas lesões musculares recorrentes?

*Milene Almeida

Por JULIA ESTEVAM
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Por que alguns jogadores sofrem tantas lesões musculares recorrentes?
Banco Uninter

Durante grandes competições, é comum vermos atletas importantes afastados dos gramados por lesões musculares recorrentes. Muitas vezes, o jogador retorna aos jogos e, pouco tempo depois, sofre uma nova lesão na mesma região. A pergunta que surge é inevitável: por que isso acontece com tanta frequência até mesmo entre atletas de alto rendimento, acompanhados por equipes multidisciplinares?

O futebol moderno exige intensidade física extrema. O aumento da velocidade do jogo, o calendário apertado, as viagens frequentes e o pouco tempo de recuperação transformaram o corpo do atleta em um sistema constantemente levado ao limite. Nesse cenário, a fisioterapia esportiva ganhou um papel que vai muito além da recuperação após a lesão: hoje, ela se tornou peça estratégica na prevenção e no gerenciamento da performance.

As lesões musculares mais comuns no futebol acontecem na coxa e na panturrilha, principalmente pela explosão muscular exigida em arrancadas, mudanças bruscas de direção e acelerações constantes. Entretanto, a recorrência dessas lesões raramente acontece por acaso.

Em muitos casos, o atleta retorna aos gramados antes da recuperação completa da musculatura. A ausência de dor nem sempre significa recuperação total. O tecido muscular pode ainda não ter retomado plenamente sua capacidade funcional, aumentando significativamente o risco de uma nova lesão.

Outro fator importante é o excesso de jogos e o curto período de descanso entre partidas. O calendário do futebol atual reduz o tempo necessário para recuperação muscular adequada, favorecendo a fadiga acumulada e a queda do rendimento físico ao longo da temporada.

Além disso, desequilíbrios musculares, alterações biomecânicas, sono inadequado, estresse emocional e até a pressão constante por resultados influenciam diretamente na saúde física do jogador. O corpo responde não apenas ao treinamento, mas também à carga emocional e mental imposta ao atleta de alto rendimento.

Apesar dos avanços na preparação física e nos recursos de recuperação, as lesões musculares seguem entre as principais causas de afastamento de atletas.

É justamente nesse ponto que a fisioterapia esportiva atua de forma estratégica, por meio de avaliações funcionais, controle de carga, fortalecimento específico, recuperação muscular e monitoramento criterioso do retorno seguro ao esporte. Hoje, prevenir lesões tornou-se tão importante quanto tratá-las.

O caso do lateral-direito Wesley ilustra a complexidade do diagnóstico e da tomada de decisão diante das lesões musculares no futebol de alto rendimento. O atleta foi cortado da Copa do Mundo de 2026 após sofrer uma lesão grau III no músculo adutor da coxa esquerda, caracterizada por ruptura extensa das fibras musculares e comprometimento significativo da função do músculo. De forma geral, as lesões musculares são classificadas em três graus: grau I, quando há apenas estiramento ou microlesões com mínima perda funcional; grau II, caracterizada por ruptura parcial das fibras e limitação moderada dos movimentos; e grau III, que corresponde à ruptura grave ou quase completa do músculo, exigindo períodos prolongados de recuperação.

Embora os jogadores Wesley e Neymar apresentem lesões classificadas do mesmo grau, a evolução clínica de cada atleta pode ser diferente. No caso de Neymar, o processo de tratamento, reabilitação e acompanhamento especializado já vinha sendo realizado há mais tempo, permitindo uma recuperação progressiva e maior possibilidade de retorno aos jogos. Já Wesley sofreu a lesão às vésperas da competição, sem tempo hábil para recuperação segura. 

As lesões musculares recorrentes no futebol são resultado de uma combinação complexa entre alta exigência física, recuperação insuficiente e sobrecarga esportiva. Mais do que um problema individual do atleta, elas refletem as exigências cada vez maiores do futebol moderno.

Em um esporte no qual cada detalhe pode decidir resultados, cuidar da recuperação muscular deixou de ser apenas parte do tratamento e passou a ser uma estratégia fundamental para preservar desempenho, prolongar carreiras e reduzir afastamentos.

*Milene Almeida - fisioterapeuta, professora e pesquisadora da UNINTER.


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JULIA CRISTINA ALVES ESTEVAM
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