Dor ao toque, hematomas frequentes, sensação de peso nas pernas e aumento desproporcional de gordura nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Embora esses sinais sejam característicos do lipedema, a condição ainda é pouco reconhecida por parte da população e até de profissionais de saúde, o que ajuda a explicar o subdiagnóstico e o impacto prolongado na vida de muitas mulheres.
Segundo a fisioterapeuta especialista em lipedema Dra. Mariana Milazzotto, a desinformação ainda é um dos principais entraves para o diagnóstico correto. Muitas pacientes, afirma, passam anos ouvindo que o quadro é apenas estético, consequência do sedentarismo ou reflexo de falta de controle alimentar. “O lipedema tem sinais clínicos muito específicos e não pode ser reduzido a uma questão de peso”, diz.
De acordo com a especialista, um dos erros mais recorrentes é tratar o quadro como obesidade comum ou como um problema circulatório isolado. Essa leitura equivocada, afirma, atrasa o cuidado adequado e prolonga o sofrimento físico e emocional das pacientes.
Entre os mitos mais disseminados está a ideia de que lipedema e linfedema são a mesma coisa. Não são. Enquanto o linfedema está ligado ao acúmulo de líquido por alterações no sistema linfático, o lipedema envolve uma alteração patológica do tecido adiposo, marcada por dor, sensibilidade e distribuição corporal característica.
Outro equívoco comum é associar o lipedema apenas a pessoas com obesidade. Mariana Milazzotto explica que mulheres magras ou com peso considerado adequado também podem apresentar a condição. O principal sinal de alerta, segundo ela, não é o peso corporal total, mas a desproporção entre tronco e membros, acompanhada de sintomas como dor, sensibilidade ao toque e aparecimento frequente de hematomas.
Também persiste a percepção de que dieta e atividade física seriam suficientes para eliminar o problema. Embora hábitos saudáveis sejam fundamentais no controle clínico, na redução de processos inflamatórios, na melhora da mobilidade e na prevenção de agravamentos, eles não eliminam a gordura característica do lipedema da mesma forma que ocorre com a gordura comum. “A paciente pode emagrecer, melhorar o condicionamento e ganhar qualidade de vida, o que é extremamente positivo, mas isso não significa que o lipedema desapareceu”, afirma.
A ideia de que se trata de uma condição apenas estética também não se sustenta na prática clínica. Além da alteração corporal visível, o lipedema pode provocar dor crônica, cansaço, limitação funcional, piora da mobilidade e sofrimento emocional. Em estágios mais avançados, o quadro pode comprometer a rotina, a autoestima, a disposição para atividades físicas e até a capacidade funcional da paciente.
Entre os equívocos mais preocupantes está ainda a crença de que a cirurgia deve ser a primeira alternativa terapêutica. Segundo Milazzotto, o tratamento precisa ser individualizado e, de preferência, conduzido por equipe multidisciplinar. Fisioterapia, orientação nutricional, controle de sintomas, atividade física adaptada, uso de compressão quando indicado e acompanhamento médico fazem parte do manejo conservador.
A cirurgia, ressalta a especialista, pode ser considerada em casos selecionados, mas não substitui uma avaliação global nem deve ser tratada como solução automática. “Transformar o lipedema em promessa de antes e depois é um erro grave. Estamos falando de uma condição crônica, que exige estratégia terapêutica, acompanhamento e escuta clínica”, diz.
Também não procede a ideia de que o lipedema tenha cura definitiva. O que existe, segundo Mariana, é a possibilidade de controle, estabilização dos sintomas e melhora significativa da qualidade de vida quando a paciente recebe diagnóstico correto e acompanhamento adequado.
Para a fisioterapeuta, o avanço mais urgente ainda passa pela circulação de informação de qualidade. “Quando a mulher entende que dor, roxos frequentes, sensibilidade ao toque e desproporção corporal não são frescura nem falta de cuidado, ela deixa de se culpar e passa a buscar ajuda com mais clareza. O diagnóstico muda não só o tratamento, mas a forma como essa paciente passa a se enxergar.”
Sobre a Dra. Mariana Milazzotto Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
PAULO NOVAIS PACHECO
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