A Copa do Mundo de 2026 já tem seus grupos, datas e horários marcados. Embora alguns times ainda irão disputar partidas das eliminatórias, já é possível fazer uma primeira análise do que teremos. No Brasil, a impressão geral é que o grupo da nossa seleção é acessível e devemos ter apenas uma partida difícil nesta fase. E em especial, quem ficou contente com os dados divulgados foram os empresários brasileiros, que na maioria não terão quase ou nenhum impacto em suas jornadas de trabalho já impostas aos funcionários.
Avaliando o grupo da seleção canarinho, sempre na minha opinião, o primeiro confronto contra Marrocos será duríssimo. Talvez não dê ainda para considerar de primeira prateleira de Copa do Mundo. Mas vamos lembrar - assim como já foi dito aqui - que esta seleção foi a surpresa da última edição chegando a semifinal com grande potencial de avançar. E ainda tivemos neste ano, o sub-20 deles sendo campeões mundiais em cima da Argentina, a última campeã da Copa dos Profissionais, com Messi e Cia.
Não é uma seleção com grandes destaques individuais, talvez Hakimi, do Paris Saint Germain, autor de um golaço na Copa do Mundo de Clubes deste ano, seja o maior deles. Mas é um conjunto que se entende muito bem e estiveram inspirados no Catar. Com os reforços dos mais novos, que certamente irão compor o elenco da seleção do norte da África - lembrando também que Marrocos será um dos países sede da edição de 2030 da Copa do Mundo, junto com Espanha e Portugal, o que os incentiva ainda mais a desempenhar um bom papel nesta edição -, eles devem formar um time extremamente competitivo e vão querer alcançar vôos tão grandes ou maiores que os feitos já alcançados entre os profissionais.
Acredito que devemos ficar muito atentos, pois vacilar neste confronto significará iniciar a competição com um tropeço, o que nunca é bom em uma competição de tiro curto, com no máximo 7 jogos, que só alcança quem chega a final. Perder o primeiro jogo da copa não é o fim do mundo, como demonstrou a Argentina que perdeu da Arábia Saudita de virada no Catar, mas uma exceção não pode servir de regra. Ao contrário começar bem em um jogo destes pode representar a arrancada que jogadores, comissão técnica e torcida precisam para seguir juntos e unidos rumo a uma nova conquista.
O jogo será em um sábado, dia 13 de junho, 19h. O segundo confronto será contra o Haiti, em uma sexta (19), 22h, a princípio o jogo que o Brasil deve ganhar - se jogar sério e com respeito ao adversário, sempre -, com possibilidade de golear. O último confronto da fase de grupos será contra a Escócia, que dependendo dos dois jogos anteriores, também pode ser mais acessível. Mas é uma seleção européia que ainda mantém a escola britânica das mais tradicionais. Time com imposição física, mas que arrisca suas estocadas e se sentir a vontade no jogo pode surpreender de alguma maneira. Tem jogadores em grandes ligas e que devem liderar os demais. A conferir no dia 24 de junho (quarta), 19h.
A fase de grupos também já nos proporcionará outros confrontos que podem ser condiderados com potencial de serem grandes jogos, ou no mínimo interessantes, em outros grupos. Ao meu ver os principais deles serão Espanha x Uruguai, seguidos de Portugal x Colômbia, Inglaterra x Croácia, Alemanha x Equador e França x Noruega. Podem ser bons jogos Bélgica x Egito, Argentina x Áustria, Holanda x Japão, França x Senegal e Inglaterra x Gana.
Claro, de maneira geral a fase de grupos da Copa do Mundo sempre tem favoritos e seleções consideradas como fáceis de serem batidas. Mas muitas vezes não esperamos nada de determinadas seleções e jogos e nos surpreendemos positivamente. Mas também tem jogos ruins e feios. Como é uma Copa, quando eu posso, assisto inclusive esses jogos por gostar do esporte e para ver outros fatores, que em competições como essas são evidenciadas, como feitos inéditos para jogadores, a emoção das torcidas dos países principiantes ou que pouco estiveram lá, estruturas de estádios e países, organização e logística, e por aí vai.
A tempo, ainda restam jogos das eliminatórias da copa para serem realizados, denominados como repescagens da Europa e Mundial. Nelas temos países com tradição como a Itália - tetra campeã mundial e rival histórica do Brasil. Países que já frequentaram muitas edições e até já tiveram bons desempenhos como Suécia, Dinamarca e Polônia. E países com pouca ou nenhuma tradição histórica mundial, como Iraque, Albânia, Congo e Nova Caledônia. Confesso que nem sabia que existia seleção de futebol neste país, que também não conhecia, embora goste e aprecie mapa mundi.
Três dessas seleções que se classificarem para a Copa do Mundo irão cair nos grupos dos países sede: Estados Unidos, Canadá e México. Até o momento as seleções já sorteadas nestes grupos não representam muitas ameaças a esses países, embora eles também não tenham tanta tradição na competição, mas algumas vezes foram competitivos, em especial o México. De confrontos já definidos até o momento, destaco que Estados Unidos x Paraguai possa ser o destaque, a princípio.
A expectativa foi criada. Teremos Copa do Mundo no ano que se aproxima. Daqui em diante é piscar o olho e chegaremos aos jogos, churrascos e encontros de amigos. E para o patrão, o alívio, além de todo o restante. Mas sempre terão aqueles que necessitarão compadecer e simpatizar com a paixão dos brasileiros, que afloresce ainda mais de 4 em 4 anos. Sejam compreensívos e valorizem seus colaboradores!
Ricardo Abel
Articulista de Esportes e
Jornalista com experiência em assessoria de comunicação e mídias como Veja SP
@ricardoabell