Governança 5.0, riscos emergentes e o papel do auditor na nova era
Plenária do 45º CONBRAI reuniu especialistas para discutir como a auditoria interna pode atuar estrategicamente diante de desafios intangíveis, transformação digital e ESG
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A plenária “Governança 5.0: o papel evolutivo da auditoria interna na era digital” marcou o segundo dia do 45º CONBRAI, realizado pelo IIA Brasil, no WTC, em São Paulo, reunindo conselheiros e especialistas de instituições públicas e privadas para discutir como a auditoria interna deve se posicionar diante das novas exigências de governança, riscos e integridade. Mediado por Márcia da Rosa Pereira, membro do Conselho de Administração do IIA Brasil e auditora federal da CGU, o painel contou com as contribuições de Fábio Coimbra, conselheiro do IBGC, Richard Blanchet, advogado e conselheiro certificado, e Gutemberg Assunção Vieira, chefe executivo de Auditoria do Serpro. Ao longo do debate, os convidados abordaram os impactos da transformação digital, da agenda ESG, dos riscos geopolíticos e dos desafios intangíveis, reforçando a necessidade de reposicionamento da auditoria interna como força estratégica da governança organizacional. Da governança tradicional à governança 5.0 A abertura do painel trouxe reflexões sobre a evolução da governança e o papel da auditoria interna no fortalecimento da estratégia organizacional. Para Márcia da Rosa Pereira, a estrutura de governança deve ser compreendida como um sistema vivo e interdependente. “Quanto mais robusta a governança, mais protegida está a organização, inclusive contra fraudes. Mas isso exige que o auditor compreenda os fluxos, os canais, a cultura e os pontos de vulnerabilidade que afetam a tomada de decisão”, afirmou. Fábio Coimbra destacou que a chamada ‘governança 5.0’ representa a convergência entre duas grandes pautas contemporâneas: a agenda ESG (ambiental, social e de governança) e a agenda digital, que inclui inteligência artificial, dados e cibersegurança. “Esses temas deixaram de ser trilhas paralelas e passaram a trafegar por uma estrada única. O Conselho de Administração e a alta liderança precisam agora olhar para riscos e oportunidades de forma integrada, e contar com a auditoria para prover essa visão”. Ele lembrou que o papel do conselho também evoluiu e acredita que a maior parte do tempo da alta liderança deveria ser dedicada a construir o futuro. “Para isso, ela precisa de conforto e segurança sobre os dados financeiros e não financeiros que sustentam suas decisões”, disse. Comunicação e intangíveis: o que o conselho espera da auditoria Um dos temas mais recorrentes na plenária foi a necessidade de reposicionar a comunicação da auditoria interna, de forma mais clara, estratégica e voltada ao perfil dos gestores. “A linguagem é decisiva. É ela que transmite ao administrador o conforto de saber que está com uma organização saudável, com riscos bem monitorados e com uma auditoria que oferece base para decisões refletidas e embasadas”, disse Richard Blanchet. Para ele, o auditor não pode mais se prender a controles excessivamente operacionais: “Precisamos também olhar cultura, reputação, resiliência e ética. São os intangíveis que hoje mais preocupam os conselhos.” De acordo com Márcia, cada relatório de auditoria exige uma estratégia própria, adequada ao perfil de quem vai recebê-lo. “Isso envolve soft skills, escuta ativa e sair da nossa sala. O auditor precisa ocupar espaços com autoridade, mas também com empatia.” Riscos emergentes: do geopolítico ao crime organizado Entre os principais pontos de atenção discutidos pelos painelistas, os riscos emergentes foram colocados como prioridade urgente. Fábio citou os riscos geopolíticos e macroeconômicos - tais como inflação global, instabilidade em cadeias de suprimentos e polarização política - como fontes de preocupação crescente para os conselhos. Richard ampliou a análise: “O risco mais perigoso é o que ainda não foi mapeado. Temos visto uma sucessão de ondas: corrupção, pandemia, ciberataques, desinformação. Agora, precisamos nos preparar para fenômenos como o crime organizado, que tem uma lógica particular no Brasil e precisa entrar no radar da governança.” Essa fala se conecta com outro ponto citado no painel, que foi a necessidade de acompanhar eventos globais com olhar estratégico. A COP30, por exemplo, foi mencionada como um marco que trará repercussões concretas para as organizações, especialmente em temas de rastreabilidade, sustentabilidade e reputação. A importância da governança de dados Gutemberg compartilhou experiências quanto à implementação de políticas de governança de dados e destacou que, para lidar com IA, ESG e riscos reputacionais, é fundamental que os dados estejam íntegros, atualizados, rastreáveis e acessíveis. “Reduzimos em 40% o repositório da CGU, eliminando dados que não agregavam valor. Isso gerou eficiência, economia e mitigação de riscos legais”, explicou. Ele também destacou a figura do curador de dados como peça-chave para que cada unidade organizacional saiba o que gerencia e responda com responsabilidade por seus ativos informacionais. O auditor do futuro: digital, humano e estratégico A plenária foi encerrada com uma provocação sobre o perfil do auditor que se espera nos próximos anos, frente à governança 5.0, a ESG e às novas ameaças. “O auditor do futuro deve ser digital nas ferramentas, humano no propósito e estratégico nas entregas”, resumiu Gutemberg Assunção Vieira. “Ele precisa conhecer a fundo os modelos de negócio, entender cultura, antecipar riscos e avaliar com profundidade a estrutura de controles internos. Isso não apenas agrega valor à organização, mas também protege o administrador, inclusive juridicamente.” Com mais de de 900 pessoas na plateia e outras 500 acomapnhando online, a plenária evidenciou que a auditoria interna está em plena transformação e que sua credibilidade dependerá, cada vez mais, da capacidade de dialogar com a estratégia, com os riscos reais e com os dilemas humanos das organizações. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LUCAS RODRIGUES CUNHA
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