Em um setor historicamente dominado por improviso e baixa previsibilidade, empresas que querem crescer precisam abandonar a ideia de que cronograma e orçamento são metas flexíveis. A gestão profissional passou de diferencial a pré-requisito e isso exige método, controle e dados.
No Brasil, é comum ouvir que “toda obra atrasa” ou que “orçamento é só referência”. Mas essa cultura de imprevisibilidade, tão arraigada na construção civil, está com os dias contados. Empresas que querem escalar, aumentar margens e ganhar competitividade no setor precisam encarar a gestão como investimento e não como custo.
Essa é a visão de Bárbara Kemp, CTO da Kemp, empresa especializada em gerenciamento de múltiplas obras simultâneas e responsável por operações em larga escala para marcas como Santander, O Boticário, Renner e Itaú. À frente de milhares de entregas coordenadas em prazos críticos, ela defende que conhecimento gerencial, processos estruturados e controle padronizado são os únicos caminhos viáveis para negócios que buscam crescer sem perder qualidade, prazo ou margem.
“Em 2025, não é aceitável que uma empresa opere dezenas de obras sem método. O improviso não escala. E o custo da falta de gestão é altíssimo: desperdício, retrabalho, imagem prejudicada e perda de mercado”, afirma Bárbara.
O cenário atual reforça essa urgência. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, 82% das empresas da construção civil enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores, um gargalo que afeta diretamente a produtividade e o cumprimento dos cronogramas. De acordo com a mesma pesquisa, 21% das companhias do setor relatam que não conseguem cumprir os prazos de entrega por falta de mão de obra, o que evidencia o quanto o mercado carece de estrutura e planejamento.
“O problema não está, necessariamente, na mão de obra ou na tecnologia disponível, mas na ausência de cultura de gestão algo que se resolve com processo, disciplina e decisão estratégica”, complementa Bárbara.
Na Kemp, a base de atuação está em uma metodologia própria de gerenciamento, desenvolvida ao longo de anos de atuação em ambientes de alta exigência, como rollouts (obras simultâneas que precisam ficar prontas numa data específica) nacionais para grandes redes varejistas e bancos. Padronização, cronogramas realistas, indicadores claros e rotina de acompanhamento sistemático são alguns dos pilares aplicados — com o suporte da plataforma proprietária Workemp, que ajuda a operacionalizar o método com visibilidade em tempo real de cada frente de obra. Mas o software, ressalta Bárbara, não substitui gestão. Ele a viabiliza.
“O que faz a diferença não é a tecnologia, é a cabeça de quem lidera. Sem clareza de processo, qualquer ferramenta vira enfeite”, diz.
Para empresas que atuam em múltiplas frentes, como construtoras, incorporadoras, redes de varejo, operadores logísticos ou facilities, adotar uma lógica gerencial baseada em conhecimento técnico e replicabilidade virou questão de sobrevivência. A escalabilidade do negócio depende de previsibilidade, controle de fornecedores, rastreabilidade de decisões e gestão eficiente de recursos.
“Quem ainda acha que toda obra precisa atrasar está ficando para trás. O setor exige outra mentalidade — e ela começa com a valorização da gestão como fundamento da construção moderna”, conclui a CTO.
Na prática, estruturar obras com mais controle e menos improviso exige um conjunto de decisões integradas. O ponto de partida é ter clareza de escopo, cronograma e orçamento desde o início, com metas factíveis e bem documentadas. Em seguida, a padronização de processos se torna essencial — não apenas para replicar boas práticas, mas para reduzir a margem de erro e eliminar retrabalho. Ferramentas de acompanhamento diário, como sistemas ERP, dashboards e checklists digitais, ajudam a consolidar dados em tempo real e oferecer visibilidade à gestão. A isso se somam treinamentos contínuos para as equipes, governança de indicadores de desempenho (KPIs) e uma cultura interna voltada à responsabilidade com prazos, custos e entregas. “Não é mágica, é método. A diferença está em tratar cada obra como uma operação técnica, não como uma improvisação”, resume Bárbara Kemp.
Sobre a Kemp
Com foco em gerenciamento de múltiplas obras, a Kemp atua em todo o Brasil organizando operações simultâneas para grandes empresas dos setores financeiro, varejista, industrial e logístico. Liderada por Bárbara Kemp e Rogério Moraes, a empresa se destaca por unir conhecimento técnico, processo estruturado e tecnologia aplicada à realidade da construção brasileira.
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VICTORIA RIBEIRO SOUZA
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