Após digitalizar a jornada do cliente, setor financeiro mira automação interna para ganhar eficiência

Automação inteligente e inteligência artificial ganham prioridade entre instituições que buscam reduzir custos, integrar processos e fortalecer suas operações

Por THALITA TARTARELLI
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Divulgação CBYK

Depois de concentrar investimentos na digitalização da experiência do cliente, o setor financeiro brasileiro entra em uma nova etapa da transformação digital. Com ampla atuação no desenvolvimento de soluções tecnológicas para instituições financeiras, a CBYK acompanha essa evolução de perto. Para Maurício Matsuda, CEO da CBYK, a próxima vantagem competitiva das instituições estará na automação dos processos internos que sustentam produtos e serviços digitais.

“A digitalização trouxe avanços importantes para o cliente. Agora, bancos e instituições financeiras precisam modernizar suas operações internas, reduzir atividades manuais e usar dados para tomar decisões com mais rapidez e eficiência”, afirma Matsuda.

Nos últimos anos, o setor ampliou os investimentos em Pix, Open Finance, aplicativos e contratação digital de produtos e serviços. Esse movimento transformou a relação com o consumidor. O novo desafio está em aumentar a eficiência, a integração e a capacidade de escala dos processos que funcionam nos bastidores.

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, realizada pela Deloitte, os bancos brasileiros devem investir cerca de R$ 47,8 bilhões em tecnologia. Áreas como inteligência artificial, analytics e big data recebem uma parcela crescente desses recursos. O movimento indica uma mudança de prioridade: além de aprimorar a jornada do cliente, as instituições buscam ganhos de produtividade e eficiência operacional.

Durante anos, muitos projetos digitais se concentraram em substituir processos físicos por versões eletrônicas. Essa mudança, no entanto, nem sempre eliminou os gargalos. Áreas como análise documental, crédito, compliance, auditoria e controles internos ainda podem depender de tarefas manuais, sistemas desconectados e sucessivas etapas de validação.

A automação inteligente permite integrar sistemas, reduzir atividades repetitivas e reorganizar fluxos de trabalho. Com o apoio da inteligência artificial, processos que antes exigiam análises demoradas podem ganhar velocidade, previsibilidade e capacidade de escala.

“A automação não significa apenas executar uma tarefa com mais rapidez. Ela permite fazer melhor, com rastreabilidade, controle de riscos e informações mais qualificadas para a tomada de decisão”, explica Matsuda.

A modernização das operações também precisa acompanhar o aumento das exigências regulatórias. A Resolução BCB nº 85/2021, por exemplo, estabeleceu requisitos relacionados à política de segurança cibernética e ao gerenciamento de riscos das instituições financeiras. O avanço tecnológico, portanto, deve caminhar ao lado da governança, do controle e da proteção das informações.

Outro desafio está na qualidade dos processos e dos dados. A inteligência artificial depende de informações confiáveis, fluxos estruturados e regras claras de governança. Instituições que investirem apenas em novas ferramentas, sem revisar sua operação, terão dificuldade para capturar todo o potencial dessas tecnologias.

A automação também pode ampliar a contribuição dos profissionais. Ao reduzir o tempo dedicado a tarefas repetitivas, a tecnologia permite que as equipes se concentrem em análises estratégicas, relacionamento com clientes, gestão de riscos e decisões de maior impacto para o negócio.

A próxima fase da transformação digital do setor financeiro será marcada pela combinação entre automação, dados e inteligência artificial. As instituições que modernizarem seus processos internos estarão mais preparadas para reduzir custos, responder às mudanças do mercado e sustentar experiências digitais com segurança e escala.

“Não basta oferecer uma boa experiência digital na ponta. A instituição precisa construir uma operação capaz de sustentar essa entrega. O próximo salto competitivo do setor financeiro acontecerá nos processos que o cliente não vê, mas que determinam a qualidade de toda a sua jornada”, conclui Matsuda.


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