Metade do ano chegou e a meta de janeiro não saiu do papel? Veja o que fazer agora

Estudos mostram que as metas de início de ano costumam perder força já nas primeiras semanas. Para Monize Oliveira, gerente sênior de Comunicação e Marketing da Redarbor Brasil, a virada de semestre é o momento certo para revisar a carreira, não para se culpar

Por PEDRO SENGER
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Metade do ano chegou e a meta de janeiro não saiu do papel? Veja o que fazer agora
Foto: Freepik

Manter metas de início de ano costuma ser mais difícil do que parece, e a carreira não foge à regra. Dados da plataforma de atividades físicas Strava mostram que cerca de 80% das resoluções de ano novo, em qualquer área da vida, são abandonadas já no segundo fim de semana de janeiro, e apenas 8% das pessoas conseguem sustentá-las até fevereiro. No campo profissional, o padrão tende a se repetir: metas de subir de cargo, trocar de emprego ou concluir uma capacitação, definidas com entusiasmo em janeiro, costumam perder força ao longo do semestre.

“Chegar à metade do ano com a sensação de que os planos ficaram para trás é mais comum do que parece. O problema não é não ter cumprido todas as metas até aqui, mas encarar a virada do semestre como um veredito, quando ela deveria ser um momento de revisão de rota. Assim como as empresas analisam indicadores para ajustar estratégias ao longo do ano, cada profissional também deve usar esse período para reavaliar prioridades, corrigir o que não funcionou e seguir em frente com mais clareza e foco”, afirma Monize Oliveira, Gerente Sênior de Comunicação e Marketing da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

Para a executiva, o primeiro passo é diferenciar duas situações que costumam ser confundidas: a meta que não andou porque o profissional não se dedicou a ela, e a meta que não fazia mais sentido desde o início. “Muita gente carrega a mesma meta de janeiro por inércia, não porque ainda quer aquilo. Antes de cobrar resultado, vale perguntar: eu ainda quero isso? Se a resposta for não, trocar de meta não é fracasso, é maturidade”, explica.

Quando a meta ainda faz sentido, mas o profissional não avançou como queria, Monize Oliveira sugere quebrar o objetivo em algo menor e mais imediato. “Se a meta era 'mudar de área' e isso parece distante, o passo de julho pode ser simplesmente mandar três mensagens para pessoas que já trabalham nessa área. Meta grande trava, meta pequena caminha de forma natural. O semestre que falta é tempo suficiente para destravar muita coisa, desde que o primeiro passo seja flexível o bastante para ser realizado ainda essa semana”, orienta.

A executiva também chama a atenção para o que define como "metas emprestadas" — objetivos assumidos mais pela expectativa de outras pessoas do que por um desejo genuíno do próprio profissional. “Nem toda meta que traçamos no começo do ano nasce das nossas prioridades. Muitas vezes, ela é influenciada pela expectativa do gestor, da família ou pela comparação com a trajetória de outras pessoas. A revisão do semestre também serve para identificar isso. Perceber que um objetivo já não faz sentido ou nunca fez é um sinal de autoconhecimento. Ajustar a rota faz parte do processo de construir uma carreira mais alinhada ao que realmente importa para cada profissional, e a garantia de que está evoluindo. Achar que “o ano acabou” e ficar estagnado por não cumprir as metas determinadas no início do ano, é sempre o pior cenário”, completa.

Por fim, Monize reforça que o segundo semestre costuma representar uma janela importante para quem deseja retomar os planos de carreira. “Historicamente, esse é um período de movimentação positiva no mercado de trabalho, com aumento na abertura de vagas e nos processos seletivos, algo que acompanhamos ano após ano no Infojobs. Por isso, vale encarar julho como um ponto de recomeço. Quem aproveita esse momento para reorganizar prioridades, atualizar o currículo, desenvolver novas competências e voltar a se movimentar chega mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgem até o fim do ano”, conclui.


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PEDRO GABRIEL SENGER BRAGA
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