UGT e Sindbast lançam cartilha para alertar sobre violência contra mulheres e avanço da misoginia nas redes sociais

Publicação reúne dados sobre feminicídio, influência da machosfera entre jovens e orientações sobre prevenção e canais de denúncia

Por GISLENE ROSA
4 Min

UGT e Sindbast lançam cartilha para alertar sobre violência contra mulheres e avanço da misoginia nas redes
Vivian Garcia
O avanço da violência contra as mulheres e a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais levaram a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sindbast) a lançar a cartilha "Carta à Mulher Brasileira". A publicação reúne dados sobre feminicídio, violência de gênero, desigualdade, influência da machosfera e direitos das mulheres, com o objetivo de ampliar o debate público e oferecer informação como instrumento de prevenção e conscientização.

O lançamento ocorre em um cenário preocupante. Segundo dados reunidos na publicação, o Brasil registrou cerca de 1.470 feminicídios em 2025, o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia. Em mais de 64% dos casos, o crime ocorreu dentro da residência da vítima e, em aproximadamente 80%, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro.


Além dos indicadores sobre violência, a cartilha dedica um capítulo ao crescimento da chamada machosfera — comunidades digitais que difundem conteúdos misóginos e defendem relações marcadas pelo controle sobre as mulheres. O material também reúne estudos que apontam a expansão desses discursos entre adolescentes e jovens, impulsionados pelas redes sociais.
Para o presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, o enfrentamento da violência contra as mulheres deve ser entendido como uma pauta permanente de direitos humanos e justiça social. "Defender os trabalhadores é, acima de tudo, defender pessoas. Não existe justiça social enquanto mulheres viverem com medo dentro de casa, no trabalho ou nas ruas. Combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade."

Idealizador do projeto, vice-presidente nacional da UGT e presidente do Sindbast, Enilson Simões de Moura afirma que a iniciativa representa o compromisso do movimento sindical com temas que impactam diretamente a vida da população. "O movimento sindical tem um compromisso histórico com a defesa da dignidade humana. Diante do crescimento da violência contra as mulheres e da desinformação nas redes sociais, entendemos que era nosso dever contribuir com informação de qualidade. Esta cartilha é um convite ao diálogo, ao respeito e à construção de uma sociedade mais justa."

Segundo Nilda Vasconcellos, diretora social do Sindbast, a publicação é resultado das discussões promovidas pelas próprias trabalhadoras da entidade. "O projeto nasceu das reflexões das mulheres do Sindbast sobre uma realidade que precisa ser enfrentada. A proposta foi acolhida pelo nosso presidente, Enilson Simões, e pelo presidente da UGT, Ricardo Patah, que compreenderam a importância de transformar essa preocupação em uma ação concreta de conscientização para trabalhadores, famílias e toda a sociedade."

Ao longo dos capítulos, a cartilha aborda temas como violência doméstica e psicológica, igualdade de gênero, masculinidade, influência das redes sociais, retrocessos nos direitos das mulheres e os impactos da desinformação na construção de relações abusivas. Como serviço à população, também reúne informações sobre os principais canais de denúncia e acolhimento, entre eles a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), a Polícia Militar (190), o Disque 100 e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

O conteúdo foi elaborado com base em estudos e pesquisas de instituições como Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONU Mulheres, UNESCO, UNICEF, Instituto Avon, Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES Brasil), Datafolha e NetLab da UFRJ, entre outras referências nacionais e internacionais.
  

 

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GISLENE ROSA DA SILVA
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