Em sua estreia como diretor artístico no audiovisual, João Vítor Linhares ganha destaque com exibição no 33º Festival de Vitória
Clipe “Planeta Marte”, de Cesar Soares, integra a Mostra de Clipes do festival e reforça a trajetória do artista na criação de universos visuais que unem carnaval e cabaré
Brunu Marchetti
Em sua estreia como diretor artístico no audiovisual, João Vítor Linhares terá o clipe “Planeta Marte”, de Cesar Soares, exibido na Mostra de Clipes do 33º Festival de Vitória, um dos eventos mais importantes do audiovisual brasileiro. O projeto reforça a parceria entre Cesar e João, que já acumulam uma série de trabalhos juntos. A seleção marca um momento de reconhecimento para o artista, que dá mais um passo na consolidação de uma pesquisa autoral baseada na relação entre corpo, cabaré, brasilidade, moda e carnaval. “É um momento importante de reconhecimento do meu trabalho. Ser selecionado para um festival desse porte, mesmo tendo nos inscrito voluntariamente, já é uma conquista. É uma validação do caminho que venho construindo enquanto diretor”, afirma João Vítor Linhares. Dirigido por Linhares para a música de Cesar Soares, “Planeta Marte” nasce do universo do álbum Encanto, que aborda amor, desencontros, fragilidade, sensibilidade e reencontro com a própria arte. Para transformar esses temas em linguagem visual, o diretor escolheu como cenário um barracão de escola de samba no pós-Carnaval, espaço que, segundo ele, carrega ao mesmo tempo a sensação de fim e de recomeço. “Desde o início, pensei o projeto visual dentro de um barracão de escola de samba no pós-Carnaval. Existe uma atmosfera muito potente naquele espaço: um caos que parece um pós-apocalipse, porque tudo fica desmontado depois do desfile. Ao mesmo tempo, é justamente ali que os sonhos começam a ser construídos novamente. Queria criar essa ideia de sonho em permanente transformação. Quase tudo já estava presente naquele universo; nós apenas reorganizamos os elementos. Parecia que o próprio espaço estava a favor da visualidade que imaginávamos”, comenta. A proposta estética do clipe combina referências clássicas, populares e contemporâneas. Entre as inspirações está “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli, perceptível na construção do figurino e na sensação de flutuação criada em cena. A direção também aposta em uma paleta de cores quentes, tecidos que atravessam os cenários e elementos metálicos que refletem a luz, criando uma atmosfera futurista. “Gosto de cruzar referências clássicas com elementos populares e contemporâneos”, explica o diretor. Com uma assinatura visual que ele define como um “cabaré profundamente brasileiro, carnavalizado e ligado à moda e à imagem”, João Vítor Linhares transforma restos, materiais descartados e elementos do cotidiano em potência estética. “Gosto muito da ideia de décadence avec élégance, porque ela traduz a forma como muitos artistas da minha comunidade aprenderam a criar: transformar o pouco, o resto e aquilo que foi descartado em ouro, em beleza e em potência expressiva”, comenta. O diretor ressalva que o resultado só foi possível graças a competência dos parceiros de trabalho: “tivemos a sorte de reunir uma equipe extremamente talentosa, que abraçou a proposta e a levou muito além do que eu imaginava. Cada área foi fundamental para que o clipe ganhasse vida, da fotografia à direção de arte, do figurino à beleza, da produção à equipe técnica. O resultado é fruto dessa construção coletiva, em que cada profissional colocou sua sensibilidade a serviço de uma mesma narrativa. Ver Planeta Marte integrar a Mostra de Clipes do Festival de Vitória é um reconhecimento que pertence a todos nós e reforça a potência do trabalho colaborativo no audiovisual." Antes de chegar ao Festival de Vitória, João Vítor Linhares construiu sua trajetória dirigindo movimentos para espetáculos teatrais, criando projetos de cabaré e assinando direções visuais no campo da música. Entre os trabalhos já realizados estão o Varieté dus Amantes, a direção visual do álbum Encanto e do show de lançamento do disco, além de direções de movimento para os espetáculos Jardim dos Espantos 1 e 2, dirigidos por Christina Streva. Para ele, a presença de “Planeta Marte” na Mostra de Clipes também reforça a importância dos festivais como espaços de circulação, troca e fortalecimento do audiovisual independente. “Além de dar visibilidade às obras, os festivais ajudam a criar encontros e novas redes”, afirma. Após a exibição no 33º Festival de Vitória, João Vítor Linhares prepara seus próximos passos no audiovisual. O diretor está finalizando o roteiro de seu primeiro curta-metragem, descrito como um thriller queer que mistura realismo fantástico, romance e terror, projeto que reúne as pesquisas estéticas desenvolvidas ao longo de sua trajetória. SERVIÇO 33º Festival de Cinema de Vitória 10ª Mostra Nacional de Videoclipes Quando: 22 de julho de 2026, 14h Local: Sala Marien Calixte – Sesc Glória Entrada Gratuita FICHA TÉCNICA “Planeta Marte” Direção criativa: João Vítor Linhares Artista: Cesar Soares Direção de fotografia: Rodrigo Ocampo e Zeca Vieira Fotos: Rodrigo Ocampo Direção de arte: Úrsula Barreto Figurino: Brendo Mathias, Gzuiss e Mateus Rebel Beleza: Victor Dargains Produção: Bruno Marques Gaffer: Gonzaga Lopes Junior Contra-regra: Hugo Alves Still: Bruno Marchetti Produção Musical: Tostoi Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARCELLA FREIRE MACHADO
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