Curitiba – O aumento da volatilidade dos preços da energia, a expansão do Mercado Livre de Energia e o crescimento da demanda impulsionado por data centers estiveram no centro do debate promovido pelo Paraná Business, em parceria com a Copel Comercialização. O encontro reuniu empresários para discutir os desafios e as oportunidades do setor elétrico em um cenário de transformação da matriz energética brasileira.
Durante a apresentação, o diretor geral da Copel Comercialização, Rodolfo Lima, destacou que a gestão da energia deixou de ser uma decisão exclusivamente operacional e passou a integrar a estratégia financeira das empresas.” A combinação entre mudanças climáticas, maior participação de fontes renováveis e novas demandas de consumo tornou o mercado mais complexo e sujeito a oscilações de preços”, salientou.
Rodolfo apresentou um panorama da evolução do setor elétrico brasileiro, ressaltando que a matriz de geração vem se diversificando com o crescimento da energia solar, eólica e da microgeração distribuída. Esse novo perfil, segundo Lima, altera a dinâmica do sistema elétrico e exige contratos mais aderentes ao perfil de consumo de cada empresa.
O diretor ainda trouxe a perspectiva de aumento estrutural da demanda por energia nos próximos anos, impulsionada principalmente pela instalação de data centers no Brasil. Os especialistas afirmaram que esse movimento tende a elevar o consumo de energia de forma significativa, reforçando a necessidade de novos investimentos em geração e infraestrutura.
Ao analisar o cenário de preços, Felipe Pessuti, gerente executivo de atacado e varejo da Copel Comercialização, explicou que, embora o mercado apresente um momento de maior estabilidade em relação aos últimos meses, a volatilidade permanece como uma característica do setor. Nesse contexto, defendeu que decisões de contratação devem considerar não apenas o preço da energia, mas também aspectos como segurança de fornecimento, flexibilidade contratual e capacidade financeira da comercializadora.
O debate também abordou os impactos recentes enfrentados pelo mercado de comercialização de energia, especialmente após dificuldades financeiras registradas por algumas empresas do setor. Empresários presentes relataram experiências com contratos interrompidos e destacaram a importância da solidez dos fornecedores no momento da contratação.
"No mercado de energia, preço é um fator importante, mas não pode ser o único critério de decisão. A segurança do fornecimento, a solidez financeira da comercializadora, a flexibilidade contratual e a capacidade de atender o cliente no longo prazo fazem diferença para empresas que buscam previsibilidade e estabilidade em seus custos.", destacou Pessuti.
Outro ponto destacado foi a abertura gradual do Mercado Livre de Energia para consumidores de menor porte. Conforme apresentado no encontro, o cronograma prevê a ampliação do acesso para consumidores de baixa tensão a partir de dezembro de 2027, ampliando o universo de empresas e, futuramente, consumidores residenciais que poderão escolher seu fornecedor de energia.
Na avaliação dos diretores da Copel, o mercado deve continuar evoluindo com o avanço das fontes renováveis, do armazenamento de energia e de novas tecnologias de geração. Para as empresas, a principal recomendação foi incorporar a gestão da energia ao planejamento estratégico, buscando previsibilidade de custos e redução de riscos em um ambiente cada vez mais dinâmico.
O debate integrou a agenda de encontros empresariais promovidos pelo Paraná Business na Casa Paraná Business | PUCPR, reunindo lideranças para debater temas ligados à competitividade, inovação e desenvolvimento econômico.
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TAIANA FABIOLA TULIO MANFRON
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