A Lógica e o Neymar

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A Copa do Mundo de 2026 acabou, infelizmente. E o saldo foi: As quatro melhores seleções do mundo, aquelas apontadas como as principais favoritas ao título nas prévias da competição, chegaram às semi-finais: Espanha, Argentina, Inglaterra e França. E isso não aconteceu porque apenas estas seleções tem atletas de qualidade. Aconteceu porque dentre suas capacidades buscam aperfeiçoar suas qualidades, organizar seu ambiente, estruturar seu formato e blindar seu entorno. Ou seja, o sucesso, não é o meio, é o fim. Aproveito aqui para mandar um recado: os convocados não são aqueles que gravam comerciais para os patrocinadores da seleção, como acontece na brasileira, e tem relações próximas com amigos dos gestores da entidade que comanda o futebol aqui no país, e vão para uma competição de um mês mesmo estando machucados ou retornando de lesão. 

Nestas seleções, são aqueles que tem maiores condições de representar o país, que o treinador testou, gostou, incluiu em suas ideias e tem condições físicas de dar a intensidade que a competição precisa. Nestas, não são os números de seguidores que importam, até porque o barulho causado por internautas não significa necessariamente que eles entendem algo ou tem razão quando pedem alguém no esporte. São apenas fãs que gostam de determinada pessoa e admiram algo que esta pessoa faz, não tem a ver com ser a melhor opção técnica, tática e física para uma competição esportiva. Mas parece que aqui no Brasil agora tudo se resume ao que a internet remete, mesmo que os números medidos neste meio de comunicação se limitem apenas em como rentabilizar mais para marcas, atletas, gestores, entre outros, que é o que lhes interessa. A cultura do quanto mais melhor, do melhor eu que o outro, do melhor a mãe do outro chorar do que a minha, já é a nossa realidade, e não é de hoje. E assim ampliamos cada vez mais a distância entre ricos e pobres, entre empresários e trabalhadores, entre políticos e o povo. E tudo com a conivência de uma ‘internet’ que é composta por todos esses e pode ser influenciada conforme o poder aquisitivo. Pois engajamento se cria a partir de impulsionamento, ou seja, quem tem dinheiro paga para que seus conteúdos sejam difundidos para as pessoas. E as pessoas de forma inconsciente - pois não refletem sobre o que aquilo trará de consequência - muitas vezes reproduzem esses conteúdos em seus meios sociais. Não existe por parte destas pessoas uma reflexão maior, apenas a empatia por uma ideologia, identificação ou admiração pessoal. O Brasil sendo Brasil na sua essência máxima, algo que trará consequências destruidoras na minha humilde opinião à longo prazo, mas já é possível testemunhar os impactos disso no dia-dia, para os mais atentos. Final A Espanha mais uma vez se deu melhor em cima da França - principal candidato ao título -, assim como já havia ocorrido na final da última Eurocopa, e confirmou que esporte coletivo, é coletivo. Foi para a final com a Argentina, que também tem um coletivo unido, e superou o adversário na bola. Um time sempre será superior as qualidades individuais, a cor de um uniforme ou a história de títulos de uma seleção. E também será sempre superior a uma reunião de craques, mesmo que eles estejam ‘voando’. E assim o time espanhol com seus ‘garotos’ superou o time de ‘estrelas’ da França e o time da ‘raça’, a Argentina. Não sofreu nada, não ficou na retranca por medo, não imobilizou seus jogadores para cumprir apenas uma tática. Simplesmente jogou futebol com disciplina e organização, marcando e atacando, de igual para igual. Com coragem e determinação. Com respeito e empatia com sua nação e torcida.  Um viva a Espanha por ter criado uma forma de jogar. Entendeu em determinado momento que deveria respeitar seus ‘dotes’ e privilegiar uma tendência nacional. E desta forma formatou para sua seleção o que ficou conhecido entre eles como o ‘Tic Taca’, que nada mais é que o ‘Toca e me voy’ ou o ‘Toca e recebe de volta’. Tornou o toque de bola o seu jeito de jogar, algo que inseriu não apenas entre os profissionais, mas também entre todas as categorias de base. E fez isso porque entendeu que esta era uma qualidade dos seus jogadores. Assim profissionalizou essa raiz e transformou essa base em sua árvore forte, que já havia trazido frutos e semeou mais um título para a nação da La Roja. Argentina Outro time que respeita sua essência e chegou à final com todo mérito, algo que me lembrou o filme “Highlander - O Guerreiro Imortal”. Digna dos mais qualificados elogios, a seleção albiceleste continua com sua catimba, mas incorporou uma aura de invencível nesta copa do mundo. Algo que não se confirmou no jogo decisivo, pois ao contrário do personagem do filme, o tempo de vida dos seus jogadores fez a diferença, o que fez os hermanos sucumbir exatamente para a juventude do seu adversário, que foi superior fisicamente em campo, o que acentuou também a diferença técnica no jogo. Mas o que é incontestável é o amor à camisa. Em todos os jogos que o time foi colocado à prova correspondeu, correu incansavelmente até o final, jogando futebol e se superando. E mesmo que tenha um jeito pouco empático com ideais de outras culturas, o sentimento de pertencimento lhes levaram até onde poucos imaginavam. O grupo que se recusa a perder e dá a vida para conquistar mais uma taça. Os hermanos definitivamente respeitam o futebol de verdade. E o que dá gosto de ver são os jogadores batendo no peito ao final dos jogos para dar o tom ao seu sentimento, que é o maior de todos. À Argentina, como eu queria que você fosse o meu Brasil. Mas de qualquer maneira tenho gosto de te ver jogar. E independente se não ganhou o título, obrigado por nos lembrar do porque gostamos de futebol. E o que restou para os brasileiros foi agradecer por nossos rivais não terem se aproximado em número de títulos, uma perspectiva que o horizonte nos reserva por muito tempo, se também não nos respeitarmos como nação, como fez a Argentina. Neymar Inserido no contexto da internet citado acima, e com certeza não o esportivo, circulou na semana passada um vídeo com ‘3 Neymares’, produzido pela IA. Nele já querem vender novamente um Neymar que não existe desde os tempos do Barcelona. Aquele rapaz que protagoniza o vídeo, intermediando as falas e lincando o personagem fictício do futuro e o ‘menino da Vila’. Como tema do vídeo, o sonho de todos e que também pode ser o do Neymar.”, a conquista da Copa do Mundo de 2030.  Mas como um jogador que não entende que ele não é um atleta há cerca de 10 anos poderá ajudar uma seleção brasileira que não correu para marcar uma Noruega agora em 2026, daqui 4 anos? E outra, quem produziu esse vídeo, pensou na capacidade desta pessoa daqui 4 anos ou está novamente remetendo aquele Neymar do Barcelona, que encantou o mundo e um dia seria o ‘melhor do mundo’, algo que nunca se concretizou? Será que esta pessoa está pensando na seleção ou na capacidade de rentabilizar mais com vídeos nas mídias sociais e comerciais para os patrocinadores da seleção? E no enredo do tal vídeo ainda teve o incrível bom senso de dizer que não conseguiria ganhar esta copa sozinho, como se estivesse sozinho vestindo a camisa da seleção na competição. Fico pensando. É sério que ele acha que brigou pela nação e pelo time? É sério que aquele cara que marcava gols incríveis e encantava no Santos e Barcelona, se limitou esportivamente para apenas ter relações conjugais, viver em festas, explorar times com suas migues, valorizar apenas o luxo e bens materiais, e se importar apenas como que sua profissão pode alavancar ainda mais seu status?
Esta para mim é a maior demonstração do que virou a seleção brasileira nas últimas 3 copas, onde Neymar foi apontado como o principal jogador do Brasil e fez o que quis fora de campo. Para mim ele é o principal responsável pela desunião de todos que nos representam e é o principal incentivador de toda a bagunça que lá acontece, junto com seu pai. Assim como o exemplo de como se portar para nossos atletas. E como a ‘internet’ aclama suas postagens nas mídias sociais, patrocinadores continuam exigindo sua presença e o dinheiro acaba por ser a única motivadora de tudo por lá. E assim Neymar e o pai conseguiram fazer o mesmo na seleção, que fizeram com sua carreira. A destruíram. Já esse jogador aqui me lembra outro filme, aquele “Um Morto Muito Louco”.

Brasiiiiiilllll!!!

Ricardo Abel Articulista de Esportes e Jornalista com experiência em assessoria de comunicação e mídias como Veja SP
@ricardoabell