Entre a leveza e o peso

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Chegou o momento. Aquele onde pequenos detalhes, uma distração, um tropeço, uma fadiga a mais, um escorregão pode definir tudo. Onde enfrentar os melhores já não é mais uma escolha, e sim, uma necessidade. Onde os diferenciados se enconcontram. Onde os protetores das zagas terão a missão de encarar os protagonistas tentando pará-los, e em um erro podem ser apenas os vilões, enquanto os goleadores os heróis. Mas como futebol são 11 em campo, mais os reservas e o técnico, e quando ganham todos são responsáveis, quando perdem é a mesma coisa. Pelo menos deveria ser. Sendo assim, aqui tentarei esboçar o rascunho de como entendo a participação das seleções até agora na copa e pincelar outras questões.

Brasil: Vini Júnior é o destaque em termos ofensivos - confesso que me surpreendeu. Espero que continue focado apenas no futebol e não se deixe levar por ofensas que o tiram do sério, e fazem o seu futebol diminuir, como em outros momentos, caso isso aconteça. O Bruno Guimarães é o outro que também está jogando como em seu time, organizando tudo e sendo o Rei do meio campo. Os dois únicos destaques incontestáveis até o momento. O restante do time está se esforçando muito - é perceptível - merecem aplausos por isso, incentivos e a torcida até o final, seja ele quando ocorrer, mesmo que seja antes do esperado. E Carlo Ancelotti que conseguiu arrumar a casa organizando um time ao seu jeito, também demonstrou ter uma sorte do tamanho do mundo, contando até com as ‘contusões culposas’ - como também definiu Porchat -, que é quando não há intenção, mas ajuda o time a melhorar, tirando dos jogos alguns que não deveriam estar lá naquele momento e fazem entrar alguns que podem ajudar mais.
Pra mim a angústia do jogo contra o Japão já era esperada, pois a seleção deles é como os Kimikases da segunda guerra mundial, dão tudo que podem até o final, e ainda contam com a disciplina que o esporte emprega. Agora é a Noruega do monstro Halaand - que muitos pediram erradamente pra enfrentar, na minha opinião, pois você não deve pedir para enfrentar um diferenciado, é o destino que os coloca à sua frente quando deve acontecer -. Mas acredito também neste caso que é a hora de começar a degladiar para pegar o espírito dos maiores “guerreiros”, que será complicado, mas acredito sinceramente que é possível derrubar esse barco Viking”, para que a torcida brasileira reme com seus até então adversários ao final da partida para desejar que vão embora para casa com louvor na Europa. E a partir de agora amigos e amigas, é hora de torcer, mas também de saber apoiar, caso a eliminação aconteça, pois futebol é esporte e acaba apenas a competição quando o time é eliminado, mas a vida dos jogadores e comissão técnica continua após o apito final. E caso aconteça sem o título, lembrem que todos são seres humanos, eles e vocês.
Noruega: nosso adversário do domingo é um time “gelado”, no sentido literal. São tranquilos, se fazem de lentos - mas também são comparados com os japoneses - enquanto organizam o jogo. Quando atacam são eficazes, mesmo tendo a ‘cintura dura’. E na frente se deixar o monstro deles livre e tranquilo, ele vai ‘matar’ o jogo. Então, temos que ‘tirar o Halaand’ da partida, assim como o Magalhães já fez com ele nos jogos deste ano entre Arsenal e City, fazendo uma marcação “a lá Argentina”. E desta forma resta aos demais marcar o Nusa - pra mim o outro destaque do time - que possui uma habilidade diferenciada para um norueguês. Este também pode resolver e se o Halaand estiver ocupado caberá aos demais pará-lo da forma mais efetiva possível. Mas volto a dizer que o Brasil tem totais condições de vencer e passar, e até acredito que o jogo pode ser mais fácil do que o anterior, caso o time esteja atento num alto nível de novo e não aconteçam erros individuais.
França: essa é a seleção a ser batida, mas eu já havia escrito isso antes. Durante a Copa estão jogando o fino da bola, com entrosamento refinado e sem que a vaidade seja mais importante do que a bola - o que também impressiona considerando o nível dos jogadores. Isso também é mérito do técnico Deschamps, que encerra sua passagem na seleção no dia 19 e parece ter preparado seu time para apenas um objetivo, o título. E o fez bem, muito bem diga-se de passagem. Mas eles tem fraquezas também. Assim como jogam como um super time no ataque, as vezes não o fazem na defesa, e isso pode trazer as oportunidades que outros times precisam para derrotá-los. Mas não são muitas as oportunidades, pois eles tem Dembele - eleito melhor do mundo no último ano, mas que para mim não é o melhor deles tecnicamente -. Ele cobra seus companheiros para que marquem com a chancela do seu título individual e lembra que isso é crucial para o objetivo principal a todos os momentos. Se em uma ou duas dessas titubeadas os adversários aproveitarem, esse pode ser o momento onde eles irão fraquejar, algo que até o momento não ocorreu nesta copa.
Argentina: cara, pra mim é impressionante de ver como eles são extremamente aplicados taticamente. Eles são efetivos demais neste quesito e cumpre mais que a risca tudo que seu técnico aplica nas ideias. Inclusive, Scaloni é um técnico excelente, já foi o melhor na última copa no Catar e agora replica tudo que sabe nesta edição. E é bonito de ver também como eles respeitam o seu melhor jogador. E não só isso, como eles o tornam o maior na artilharia da copa com a disciplina tática, e com isso, se tornam melhores coletivamente. Pra mim, inclusive, os melhores desta copa. Algo que já conseguiram quando foram campeões e resgatam agora com todo o mérito, o que os torna um dos principais favoritos ao título na minha opinião. Mas não são imbatíveis, mesmo com Messi sendo o atleta exemplar que nem todos esperavam a essa “altura do campeonato” em sua vida, mesmo ele tendo esse histórico na carreira. Sua grande virtude é a tática, algo que o talento individual pode ‘quebrar’. E isso temos de sobra, se a luz continuar em cima de Ancelotti, outro que se demonstra um excelente técnico, mas bastante iluminado.
Espanha: escrevo esse texto antes do quarto jogo espanhol, algo que não gostaria. Mas mediantes a outras amostragens, digo. Esse é um time que pode ser igual a França, mas ainda não tem a mesma maturidade. Esse é um time que pode ser igual a Argentina, mas não tem a mesma mentalidade, talvez. Esse é um time que pode ser igual ao Brasil, mas até o momento nós evoluímos muito mais na questão da raça em campo, do que eles demonstraram até o momento. E que continue assim, pois se eles acordarem será um verdadeiro perigo às outras 3 seleções já citadas rumo ao título. Mas ao mesmo tempo, se não for nesta edição, quero ver segurarem esses meninos em 2030, quando sediarão a competição ao lado de Portugal e Marrocos. Pra mim desde já a seleção a ser batida daqui 4 anos, pois hoje estamos vendo como faz a diferença ser sede para Estados Unidos, México e Canadá, dentro de campo.
Portugal, Marrocos e Inglaterra: pra mim nessa ordem, olho neles. São seleções que não estão no mesmo patamar das outras nesse momento, mas são letais. Também podem evoluir agora nas eliminatórias e tem times para chegarem até a final e serem campeões. Seria surpreendente, sim, mas não impossível. Representados em Cristiano Ronaldo, Harry Kane e Ismael Saibari - autor do gol no Brasil que se demonstra um excelente artilheiro - são seleções que já fazem um bom papel na copa e tem tudo para avançar até os cruzamentos derradeiros. Repito, olho neles, pois tem times para ganhar dos favoritos. Muitos jogadores nestas seleções também integram a lista de destaques mundiais e mesmo que não sejam protagonistas tem total potencial de fazer a diferença em um jogo deste tamanho.
Por gostar da Colômbia como time, por ser um país da mesma região e por admirar alguns de seus jogadores como Luis Dias e   Daniel Muñoz, gostaria de dizer que também são favoritos, mas pra mim ainda faltam elementos para serem campeões. Desde quando Pablo Escobar financiava o futebol acredito terem seleções com potencial para, mas sempre me falta algo para concretizarem essa crença. Quem sabe não resolvam me contradizer também, assim como fez Vini Júnior no Brasil. Espero que não, por mérito ao nosso e pela nossa torcida. Mas que seria bonito também, seria.

Brasil
Enquanto isso no Brasil, o Jornal Nacional (TV Globo) da última quarta-feira (1), trouxe a notícia de que empresas brasileiras e portuguesas com vínculos com sócios brasileiros integram o sistema de lavagem de dinheiro do PCC, e tem ramificações nos Estados Unidos. Desta forma, o governo americano fez os primeiros bloqueios de bens de brasileiros. O que chamou a atenção no lado esportivo é que um dos sócios destas empresas também integra a empresa afastada como patrocinadora do Corinthians, que culminou também no afastamento do presidente e outros integrantes da diretoria do time. À acompanhar o que isso irá significar esportivamente para o clube na CBF e como isso irá influenciar os patrocínios nos clubes a partir de agora. E obviamente, como as gestões nos clubes neste momento serão impactadas. Bomba à vista!


Ricardo Abel
Articulista de Esportes e
Jornalista com experiência em assessoria de comunicação e mídias como Veja SP
@ricardoabell


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