Empreender nos Estados Unidos exige preparação e adaptação

Fundadores da The SmAll Market ilustram um movimento crescente de empreendedores brasileiros que constroem empresas globais do zero, começando direto pelo mercado dos Estados Unidos 

Por SANDRA SOLDA
5 Min

Divulgação

Brasil, junho de 2026 — Os novos empreendedores brasileiros inverteram uma lógica de anos: as empresas iniciantes já nascem globais, sem necessariamente se provar em solo brasileiro. A escolha de começar um negócio pelos Estados Unidos não é uma exceção, a exemplo da The SmAll Market (TSM), fundada pelos brasileiros Lucas Ceschin e Rodolpho Damasco, que opera em Miami desde o seu dia 1 e foi planejada para atender as demandas do consumidor americano.

Pesquisa da Endeavor com scale-ups brasileiras mostra que 71% dos negócios já iniciaram ou se preparam para a expansão internacional. Entre as que já cruzaram a fronteira, os Estados Unidos foram o primeiro destino de 63%. Como consequência desse movimento, a leitura que ganha força no ecossistema é a de que a ambição global precisa estar no conceito da empresa, e não em uma etapa posterior ao sucesso no mercado interno.

“Não temos nem CNPJ no Brasil. A The SmAll Market nasceu como empresa americana, o que muda tudo: o produto, a estrutura jurídica, a forma de captar e a velocidade de execução. Quando você surge no mercado onde quer competir, para de adaptar de fora para dentro e constrói de dentro para fora”, afirma Lucas Ceschin, cofundador da The SmAll Market.

Para fundos americanos, a estrutura de uma empresa já com as características do país se tornou um pré-requisito, o que reforça a vantagem de já começar com a companhia certa e no lugar adequado em vez de reorganizar tudo mais tarde. “O Brasil nos deu repertório operacional e resiliência. Mas a próxima geração de empresas globais construídas por brasileiros não precisa passar por uma fase nacional antes de competir no exterior. Pode começar já competindo lá fora”, explica Rodolpho Damasco, também cofundador da empresa.

Burocracia não é o desafio: o foco está em gerar valor 

Ao contrário do que muitos imaginam, abrir a empresa não é o obstáculo. Nos Estados Unidos, a formalização é rápida e pode ser concluída em poucos dias. O que exige dedicação é o restante: contratos, compliance, responsabilidade individual, planejamento tributário e, principalmente, construir uma operação relevante.

“O erro mais comum de quem chega é gastar energia demais montando a estrutura e tempo de menos conversando com cliente. O mercado americano é mais exigente e disputado, não recompensando quem só replica um modelo que deu certo em outro lugar, mas quem resolve um problema real e executa rápido”, diz Ceschin.

Tecnologia e varejo físico impulsionam oportunidades 

Para os fundadores da TSM, as próximas grandes empresas serão fruto da combinação entre inteligência artificial e operações do mundo real. Varejo, logística, saúde, habitação e serviços financeiros ainda carregam ineficiências que a tecnologia pode resolver.

É exatamente esse o modelo da The SmAll Market. A empresa instala lojas autônomas em condomínios residenciais, com acesso 24 horas a itens de conveniência, bebidas e snacks. Toda a operação é monitorada por tecnologia, com pagamento por aproximação, câmeras e análise de dados em tempo real.

A primeira unidade abriu em Miami em março de 2026, e a companhia já captou mais de US$ 2 milhões em uma rodada pré seed, que reúne nomes como Trevor Haynes, ex CEO do Subway, Leandro Balbinot, CTO do Whole Foods e ex VP da Amazon, e Jardel Cardoso, fundador da CredPago e da Billor.

O mercado endereçável ajuda a explicar a aposta. O segmento de unattended retail, que engloba micro mercados e soluções automatizadas de venda, movimenta cerca de US$ 41 bilhões por ano nos Estados Unidos, segundo a National Automatic Merchandising Association (NAMA).

“Vivemos uma transformação profunda. As próximas grandes empresas vão combinar inteligência artificial com operação no mundo físico. E elas podem ser fundadas por brasileiros que decidiram, desde o primeiro dia, construir algo global”, conclui Damasco.

Sobre a The SmAll Market (TSM)

Para mais informações sobre a The SmAll Market, acesse o site oficial: https://thesmallmarket.com/

 


Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): SANDRA DE OLIVEIRA SOLDA
sandra@pmaisg.com.br