França na Copa sem comunhão

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Dois temas me sobressaltam a mente no momento de escrever esse texto - na terça (09/06 - 10h30). O primeiro, as indignáveis ações do presidente americano Donald Trump contra o espírito da competição esportiva. E o segundo, o  lúdico, na tentação de brincar de tentar adivinhar quem ganha de quem, classifica, elimina favoritos e será a seleção campeã. Decidi pelo segundo tema e aqui farei esse exercício por 2 motivos. Para manter minha mente ‘distraída’ apenas com o que é de bom na competição e para que eu também não seja mais uma vítima indireta do presidente laranja - não sei porque e nem quero saber, mas o Trump tem uma tonalidade de pele alaranjada -, e assim, consequentemente, perder a vontade de acompanhar a disputa.

Serão 104 jogos para decidir 12 grupos. Muitas seleções que devem ser presas fáceis e outras que podem e devem surpreender. Para fazer esse exercício vou começar com meu diagnóstico, que é único e exclusivo para essa coluna, considerando apenas um simples palpite de como estão hoje preparadas as seleções para a disputa, na minha visão. Mas claro, também trago comigo alguns encantamentos passados que podem influenciar, e esse diagnóstico também será alterado pela evolução física e emocional das equipes ao longo da competição. Nas oitavas de final (quinto jogo que será disputado pelas equipes) chegarão 8 seleções europeias, 3 da América do Sul, 3 africanas, uma asiática e uma dona da casa.  De trás para frente: México, Irã - para desespero do ‘laranjinha’ -, Marrocos, Egito, Costa do Marfim, Brasil, Argentina, Colômbia, Alemanha, Noruega, Espanha, Turquia, Bélgica, Inglaterra, Portugal e França. Por conta das combinações de resultados e cruzamentos dos grupos, podemos ter jogos muito bons já logo após as primeiras definições. Nas decimas-sextas (nome oficial) - eu prefiro segunda fase - podemos ter um Argentina x Uruguai. Nas oitavas podemos ter Espanha x Colômbia, e simplesmente, um Brasil x França. Neste caso, na minha simulação - sem considerar nada mais que a intuição momentânea -, coloquei a seleção campeã tropeçando no primeiro jogo, o que pode fazer Senegal ter participação decisiva na permanência do Brasil na copa, em uma possível eliminação precoce. Explico: como já adiantei, a França será a campeã. Mas como Senegal está em seu grupo, se conseguir a proeza de fazer os candidatos ao título tropeçarem no primeiro jogo com um empate, o resultado pode ser determinante para a França terminar em segundo no seu grupo, atrás da Noruega do Haaland (jogador do Manchester City). Com isso haveria o cruzamento com o Brasil nas oitavas, e… Aliás, 3 dos semifinalistas da última edição também devem estar presentes nos jogos derradeiros. Os hermanos (Argentina), os adversários da primeira fase, que agora não são mais uma surpresa (Marrocos), a potencial seleção que deve ser campeã em casa, em 2030 (Espanha), e a campeã nos EUA (França). Lembrando que tudo é um simulado, uma brincadeira, e não estou torcendo para que isso aconteça, mas tenho que ser fiel às minhas impressões e convicções esportivas, ao mesmo tempo que tudo pode mudar. Neste caso, em tempo real, já que se trata de pessoas em campo. Na Copa que teremos a despedida de Messi, Cristiano Ronaldo, e até que enfim, Neymar, quem deve mesmo brilhar são os ‘finalistas’ Kylian Mbappé e Michael Olise (França), e Lamine Yamal e Ferran Torres (Espanha). Aliás, não só nesta, mas também na próxima Copa, se tudo correr dentro do contexto, eles estarão em destaque até lá. Mas podem ter cia, Estevão e Endrick. Os ex-jogadores do Palmeiras são feras da bola e podem fazer a diferença ainda a favor do Brasil. Estevão, infelizmente, apenas na próxima copa. Me arrisco a dizer inclusive que se ele estivesse nessa, o Brasil poderia ser até considerado favorito. E Endrick, que pode vir de reserva a consagração já durante esta edição. Mas para isso precisamos que Ancelotti deixe o processo fluir, resistindo as ‘força ocultas’. Ah, é verdade, eu disse que ficaria apenas na parte boa do esporte, que é a bola rolando. Vamos então, continuar no lúdico exercício de adivinhação. O time da estreia do Brasil na Copa do Mundo contra Marrocos, deve ser: Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Douglas Santos, Casemiro, Bruno Guimarães, Danilo Santos, Vinícius Júnior, Raphinha e Igor Tiago. Acredito que nosso técnico, o italiano Carlo, virá com seu tradicional pragmatismo, mas também com sua pitadinha de ‘surpresa’. Danilo - o primeiro convocado - e Douglas Santos - para dar uma opção de escape por uma das laterais - devem ser as opções na defesa. Igor deve entrar para compor o ataque, como já sugerido por nosso último campeão, Luis Felipe Scolari, e dar o ‘sistema’ que o técnico precisa, segundo ele, já que foi consultado na apresentação da seleção na Granja Comary. Por último, Danilo Santos deve entrar após Paqueta ser testado. Acredito no jogador do Botafogo, a possível surpresa, já que ele hoje não é cotado, mas foi uma das últimas dúvidas de convocação resolvidas nos amistosos de Março após boas apresentações, e melhores desempenhos que o adversário regional - jogador do Flamengo -, nos jogos que entrou. Repito que para mim esse não é o time ideal. Meu entendimento é que Vinícius Júnior não merece ser titular do Brasil e que Raphinha está ainda abaixo dos demais por conta do tempo afastado no final da temporada europeia. Com isso, considerando quem temos convocados, acho que deveriam entrar como titulares Endrick, Rayan e Luis Henrique. Todos já demonstraram viver excelentes momentos e não sentiram o peso da amarelinha quando tiveram oportunidades, inclusive fazendo a diferença nos jogos. Enquanto isso Vini - como é chamado - não consegue apresentar movimentos naturais em campo. Já Raphinha além de não estar 100%, também é outro que parece carregar certa tensão em campo com a seleção.
Modo Copa ligado. Trabalho organizado para produzir e separar o tempo necessário para acompanhar os jogos possíveis. Dias de churrasco em casa e com os amigos previamente definidos. Expectativas em alta. No momento que estarão lendo esta coluna os jogos já terão começado. Yesssss. E assim espero que aconteça, que sejamos agraciados pelo melhor que o esporte tem a nos oferecer, a comunhão. E que nem eu e nem o mundo sejamos vítimas das peripécias do presidente laranja e seus 3 Is (infinita intolerância imprevisível).

Ricardo Abel Articulista de Esportes e Jornalista com experiência em assessoria de comunicação e mídias como Veja SP
@ricardoabell