A nova gestora NextRock Investment Group planeja captar capital nos próximos 24 meses para construir sua plataforma de seguros, NextLife, e sua holding cultural, SVCV.
A NextRock Investment Firm, ou NextRock & Co., está avançando com uma estratégia estruturada de financiamento que descreve como uma combinação de “economia de private equity com liquidez de crédito público”, enquanto se prepara para lançar uma plataforma de holdings de nova geração ancorada em serviços financeiros regulados.
A nova gestora japonesa estruturou um plano altamente sofisticado de engenharia financeira para lançar uma plataforma de seguros sediada nas Bermudas e uma plataforma de crédito multiestratégia.
Além disso, a empresa também pretende lançar posteriormente sua própria holding chamada SVCV. Espera-se que o grupo seja totalmente lançado após a conclusão de suas rodadas iniciais de financiamento e o estabelecimento de sua presença em Nova York.
Com sua holding voltada para algumas das maiores marcas culturais do planeta, a NextRock & Co. busca criar algo semelhante ao que empresas como Apollo Global Management e Eldridge tentaram construir anteriormente: um grupo diversificado de holdings sustentado por capital permanente e ativos mantidos de longo prazo, funcionando simultaneamente como instrumento de investimento alternativo e plataforma de influência cultural.
Inspirada pelo modelo de resseguros popularizado por empresas como KKR, Brookfield e Apollo, a companhia planeja adquirir suas próprias plataformas de seguros de vida e estabelecer parcerias com seguradoras ao redor do mundo em troca dos direitos de gestão sobre parte de seus balanços patrimoniais, prometendo retornos mais elevados sem alterar significativamente o perfil de risco.
Embora esteja construindo uma estrutura de capital permanente financiada por prêmios de seguros, a empresa declarou que sua divisão de seguros e gestão de ativos não financiará diretamente a holding cultural nem aquisições de ativos. Em vez disso, pequenas parcelas previamente aprovadas poderão ser alocadas como investimentos alternativos de venture capital com o objetivo de aumentar o retorno geral da estratégia de investimentos.
A holding cultural deverá captar recursos e abrir capital como uma plataforma independente, completamente separada de sua gestora fundadora.
As empresas já identificaram seus alvos de aquisição e mapearam uma estrutura de financiamento altamente sofisticada, utilizando mercados internacionais e instrumentos financeiros para adquirir ativos sob sua gestão da forma mais rápida possível.
Nos próximos meses, a estratégia será levantar capital transação por transação (deal-by-deal financing), em vez de operar por meio de fundos tradicionais de capital comprometido (blind pool funds).
A NextRock & Co. também pretende expandir seus ativos sob gestão (AUM) através de parcerias de co-mandato em resseguros com seguradoras ao redor do mundo.
A empresa enfatiza que os recursos gerados por sua divisão financeira não serão direcionados para a holding cultural, mas reinvestidos em diferentes ativos de crédito dentro de seu próprio portfólio.
A NextRock & Co. posiciona a plataforma como um produto híbrido, oferecendo características de rendimento típicas do mercado de crédito combinadas com potencial de valorização normalmente associado ao private equity.
O horizonte de investimento projetado é de cinco a sete anos. O instrumento de dívida listado proporcionaria liquidez no mercado secundário, enquanto a participação acionária incorporada poderia ser monetizada por meio de transações privadas secundárias ou por uma futura abertura de capital da própria gestora.
Os ativos subjacentes — abrangendo seguros, pagamentos e serviços de aposentadoria — deverão oferecer exposição defensiva, receitas recorrentes e forte geração de caixa, incluindo, em alguns segmentos, dinâmicas de capital de giro negativo. A empresa pretende alcançar posições de liderança em cada um desses mercados.
No entanto, a estrutura proposta traz desafios significativos de execução.
O sucesso da plataforma depende da conclusão simultânea de múltiplas aquisições, da coordenação regulatória entre diversas jurisdições e do apetite dos investidores por um produto que combina classes de ativos tradicionalmente separadas.
Participantes do mercado observam que, embora a engenharia financeira seja sofisticada, ela também concentra riscos tanto no nível dos ativos quanto da própria plataforma.
A empresa afirma estar refinando mecanismos de governança e proteção contra perdas, incluindo priorização dos fluxos de caixa, disciplina rigorosa no uso de alavancagem em nível de ativo e planos de contingência para o caso de alguma das transações não se concretizar.
Espera-se que o financiamento-ponte seja concluído no terceiro trimestre, seguido pela listagem da dívida. As aquisições deverão ocorrer de forma escalonada ao longo do ano seguinte.
A empresa descreve sua ambição mais ampla como a construção de uma plataforma escalável e multiestratégia capaz de conectar capital institucional a negócios operacionais, ao mesmo tempo em que cria as bases para expansão em setores adjacentes, incluindo cultura e tecnologia.
A NextRock & Co. e seu grupo têm como objetivo realizar listagens públicas duplas em Tóquio, Hong Kong e Nova York nos próximos cinco a dez anos, mirando avaliações de mercado de até US$ 50 bilhões durante a primeira década de operações.
A proposta para investidores é clara:
Investidores iniciais teriam acesso a uma plataforma dupla que combina capital permanente, investimentos alternativos e um portfólio cultural voltado para o futuro. Para parceiros estratégicos ao redor do mundo, a proposta é acesso aos maiores palcos globais e relevância internacional para as próximas gerações.
As rodadas de co-investimento e de investidores âncora previstas para 2026 são consideradas etapas críticas de validação do conceito.
O sucesso na aquisição de blocos de resseguro e catálogos musicais durante o terceiro e quarto trimestres de 2026 servirá como base de avaliação e histórico operacional necessários para sustentar futuras emissões internacionais de títulos no valor de US$ 5 bilhões, destinadas a investidores institucionais em 2028.
O projeto possui o DNA de uma plataforma que busca uma transformação de grande escala.
Sua visão é ambiciosa, mas acompanhada por fundamentos operacionais relativamente claros.
O sucesso dependerá da execução: garantir o capital inicial, atrair operadores experientes — especialmente nos setores de seguros e luxo — atingir os primeiros marcos estratégicos e manter disciplina operacional em meio à atenção e ao entusiasmo do mercado.
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AIRTON DE SOUZA LIMA
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