Sindenergia debate impactos do novo marco regulatório do setor elétrico

Por STEPHANIE ROMERO / 220 RELAçõES PúBLICAS
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Sindenergia debate impactos do novo marco regulatório do setor elétrico
Assessoria
Sindenergia debate impactos do novo marco regulatório do setor elétrico
 
 
Abertura do segundo dia do evento colocou em pauta as mudanças que devem transformar o mercado de energia e afetar consumidores, geradoras e distribuidoras

A nova Lei 15.269/2025, recém-sancionada, foi o tema central do Painel 4 do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado na manhã desta terça-feira (13), no UniSenai MT. Advogados, consultores e representantes do setor discutiram os impactos das mudanças regulatórias que devem redesenhar as regras do mercado de energia no Brasil. O debate contou com participação de Lucas Cortez Pimentel, Vinicius Alvarez Foschini e Charles Lenzi, da ABRAGEL.


O advogado Lucas Cortez Pimentel, do escritório Cortez Pimentel & Melcop Advogados, destacou que a nova legislação atinge pontos sensíveis do setor, como as regras de autoprodução de energia, abertura do mercado livre e os cortes de geração enfrentados por produtores em regiões com limitações de infraestrutura, como o Centro-Oeste.


Segundo ele, apesar do avanço da legislação, boa parte das mudanças ainda dependerá da regulamentação da Aneel e do Ministério de Minas e Energia, o que exige atenção do mercado nos próximos meses.


“A lei trouxe novos requisitos, novas condições, mas ainda precisa de regulamentação da Aneel. O empreendedor precisa ter total atenção ao que vai vir da agência e do Ministério de Minas e Energia”, afirmou.


O consultor Vinicius Alvarez Foschini reforçou que o país caminha para uma transformação histórica no setor elétrico, com a ampliação do mercado livre de energia para milhões de consumidores.


Ele destacou que o Brasil poderá viver a maior abertura de mercado de energia do mundo, com cerca de 94 milhões de consumidores aptos a migrar para o ambiente livre nos próximos anos.


“Existem problemas mapeados e soluções sobre o que fazer e como fazer, e é isso que vamos discutir para que o setor entenda o caminho que precisa seguir”, disse.


Foschini também chamou atenção para os impactos da expansão acelerada da geração distribuída, principalmente da energia solar, sobre o sistema elétrico e as distribuidoras.


“O crescimento da geração distribuída tem provocado impactos importantes na rede e pressionado o equilíbrio econômico do setor elétrico, especialmente para as distribuidoras e geradoras”, avaliou.


Representando a ABRAGEL, Charles Lenzi destacou que a abertura total do mercado livre será uma das mudanças mais significativas trazidas pela nova legislação. Pela nova regra, consumidores industriais e comerciais poderão migrar para o mercado livre a partir do fim de 2027, enquanto os consumidores residenciais terão acesso a partir de 2028.


Para ele, o debate ocorre em um momento delicado para o setor, marcado por discussões sobre preços, segurança contratual e estabilidade do mercado.


“A gente vê problemas de preço, liquidez e confiabilidade no setor. É um tema extremamente relevante e que precisa ser debatido com profundidade”, afirmou.


Lenzi também destacou o espaço conquistado pelas pequenas centrais hidrelétricas dentro do novo marco regulatório. A legislação prevê leilões de reserva de capacidade que poderão contratar até 4,9 gigawatts de energia de PCHs nos próximos anos.


“Para o segmento, é uma perspectiva de futuro muito importante, que movimenta toda a cadeia do setor elétrico”, disse.
Na avaliação dele, embora a nova legislação represente um avanço importante, o setor elétrico brasileiro ainda deverá passar por mudanças mais profundas nos próximos anos.


“Em algum momento, o Brasil terá que reescrever o modelo do setor elétrico diante de todas as mudanças estruturais que estamos vivendo”, concluiu.


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STEPHANIE ROMERO FRANCISCO
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