Considerada uma das profissionais mais completas na cena artística brasileira, Veronica Valle assina a direção de arte e cenografia do espetáculo Susi, o Musical

Por meio de uma proposta contemporânea e interativa, ela reproduz no palco em cenário minimalista o universo da boneca brasileira, retratado de forma atual, misturando passado e presente, diversão e reflexão  

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Considerada uma das profissionais mais completas na cena artística brasileira, Veronica Valle assina a
Leo Aversa

Aplausos, elogios e notas 10. Depois de brilhar, pelo segundo ano consecutivo, como diretora criativa e cenógrafa da Comissão de Frente da escola de samba Beija Flor, vice-campeã do Carnaval carioca em 2026, Veronica Valle celebra o novo projeto: a direção de arte e cenografia do espetáculo Susi, o Musical, que acaba de estrear em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso. 

Considerada uma das profissionais mais completas na cena artística brasileira, por atuar como designer, diretora artística, cenógrafa e figurinista, ela apresenta uma proposta contemporânea e interativa na peça teatral, com a criação de cenário minimalista com jogos de luz, projeções visuais, efeitos e cores, para retratar a boneca brasileira de forma mais moderna e atual. 

“O cenário que para um musical, pode ser considerado minimalista é composto por planos que se sobrepõem e ajudam a emoldurar as cenas. Paredes auto portantes iluminadas, se movem  criando um ambiente intimista ,o quarto do menino, aproximando o espectador dos seus conflitos internos e se expandem abrindo espaço para caber toda imaginação e a magia dos personagens. O maior desafio de Susi foi trazer para o palco o universo da boneca de forma atualizada, mas sem perder o aspecto lúdico e de sua identidade! O piso lembra os moldes dos antigos cadernos de costura contraponto com elementos cheios de efeitos de luz e movimento, O cenário  de Susi quer também deixar espaço para que o espectador preencha a história com sua imaginação, é um musical que quer entreter ,mas também fazer pensar!”, destaca. 

O espetáculo, que traz a atriz e cantora Priscilla no papel principal, une memória afetiva, crítica social, fantasia e canções inéditas, alternando cenas do quarto do menino Victor e do mundo simbólico das bonecas. Ele embarca em uma jornada fantástica e descobre novas perspectivas ao lado de Susi e de um grupo de personagens marcantes. São abordados temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento. Enquanto Victor encontra um caminho de reconexão com sua própria história, Susi, reafirma sua relevância diante das novas gerações, multiplicando-se em cena em diferentes versões que refletem a pluralidade da mulher brasileira. 

Veronica afirma que, dentro do universo teatral, os musicais despertam seu interesse “Eu gosto muito de trabalhar com musicais, são mais densos e conceituais.  Eles me permitem usar mais a linguagem do espetáculo,  algo que lido bastante e me seduz.“, ressalta. 

A parceria com Ulysses Cruz, renomado diretor de Susi, o Musical, é de longo tempo e bem sucedida: em 2017, Veronica assinou a cenografia da peça Constelações, também dirigida por ele, e foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo, na categoria cenário. No mesmo ano, trabalharam juntos em Rio mais Brasil - O nosso musical! 

“É um grande prazer trabalhar com o Ulysses. Ele sempre adota um formato diferente nas montagens dos musicais e espetáculos que dirige, com forte visualidade e estética marcante”, pontua Veronica. Em Susi, O Musical, ele optou por explorar a ousadia artística e resgatar memórias afetivas da infância. Inspirado pelo impacto cultural da boneca e pela própria experiência com os brinquedos da Estrela, buscou construir uma narrativa inovadora, divertida e reflexiva.

Formada em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Veronica está sempre atenta às tendências ditadas por cada iniciativa da qual participa. Seu processo criativo é marcado pela pesquisa e capacidade de transformar conceitos em experiências memoráveis.

Segundo ela, a criatividade nasce do cruzamento entre referências, repertório e experimentação constante, em iniciativas com identidade, propósito e impacto. “Trabalho com a imagem que fala, que se apresenta, que comunica”, afirma. 


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