Custo da inércia pode superar investimentos em tecnologia, alerta executiva da Red Hat

Cerca de 40% das habilidades profissionais precisarão mudar até 2027; empresas que adiam decisões correm riscos de reputação, mercado e receita

Por ERIC REALE
3 Min

Custo da inércia pode superar investimentos em tecnologia, alerta executiva da Red Hat
Divulgação livre

A expansão acelerada da inteligência artificial, da automação e dos chatbots está redefinindo o mercado de trabalho global e colocando empresas diante de uma decisão estratégica: agir agora ou arcar com o custo da inércia. Para Andrea Cavallari, diretora sênior de estratégias de mercado de Serviços para a América Latina na Red Hat, o maior risco hoje não está na adoção de novas tecnologias, mas na escolha de permanecer parado.

 

De acordo com o relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, cerca de 39% das habilidades profissionais precisarão ser transformadas até 2027 em função do avanço tecnológico. Na América Latina e no Caribe, um estudo do Banco Mundial aponta que entre 30% e 40% dos empregos estão expostos à inteligência artificial generativa, sendo que até 12% podem ter aumento de produtividade e apenas de 2% a 5% enfrentam risco real de automação.

 

“O debate sobre inteligência artificial não deve ser guiado pelo medo ou pelo hype, mas por dados concretos e análise de impacto real nos negócios”, afirma Andrea. “Em muitos casos, o custo de não agir - seja em perda de mercado, de clientes ou de relevância - acaba sendo maior do que o investimento necessário para se adaptar”, completou.

 

Segundo a executiva, antes de definir uma estratégia, empresas precisam avaliar quatro fatores essenciais: impacto na reputação da marca, custos legais e regulatórios, perda de market share e risco de evasão de clientes e receita. “Se a organização entende que consegue absorver esses impactos, talvez a inação seja uma escolha possível. Caso contrário, algum nível de investimento se torna inevitável”, explicou.

 

A executiva ressalta, no entanto, que agir não significa apostar de forma indiscriminada em toda nova tecnologia emergente. Experiências recentes com o metaverso e o blockchain mostram que grandes expectativas nem sempre se traduzem em retorno imediato sobre o investimento. “Dependendo do setor e da maturidade da tecnologia, projetos-piloto e iniciativas menores podem ser caminhos mais seguros do que grandes apostas iniciais”, reforçou.

 

Para ela, a inteligência artificial deve ser encarada como uma jornada contínua, e não como um destino final. “Novas ferramentas e modelos surgem diariamente. O desafio das empresas é construir decisões data-driven, avaliando o custo da inércia frente aos benefícios reais no curto e médio prazo, sem se deixar levar por modismos”, conclui.

 

 


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