Custo logístico consome 13,7% do PIB brasileiro e impulsiona busca por eficiência operacional

Estudo do ILOS aponta que a alta dependência do modal rodoviário pressiona as margens das empresas, exigindo digitalização e novas estratégias de distribuição para manter a competitividade.

Por VITORIA MOTOYAMA
4 Min

Custo logístico consome 13,7% do PIB brasileiro e impulsiona busca por eficiência operacional
Freepik
 

O custo logístico no Brasil continua representando um desafio significativo para a economia nacional, consumindo aproximadamente 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados do Panorama do Transporte e Logística desenvolvido pelo ILOS. O índice posiciona o país em uma situação de desvantagem competitiva quando comparado a economias maduras, como a dos Estados Unidos, onde os custos logísticos giram em torno de 8% do PIB.

O levantamento indica que a matriz de transporte brasileira permanece fortemente concentrada no modal rodoviário, que responde por mais de 60% da movimentação de cargas. Essa dependência expõe o setor às oscilações frequentes no preço do diesel e aos custos de manutenção gerados pela precariedade de parte da malha viária, fatores que compõem o chamado "Custo Brasil" e encarecem o produto final.

Diante desse cenário macroeconômico de custos elevados, gestores do setor buscam alternativas para otimizar recursos. "O cenário econômico atual exige precisão absoluta, pois não há mais espaço financeiro para ineficiências na cadeia de suprimentos. A gestão estratégica e o uso de dados tornaram-se as principais ferramentas para blindar a operação contra as instabilidades externas", afirma Beatriz Cabral, sócia proprietária da Beon Transportes

Para mitigar o impacto financeiro apontado pelo estudo, as empresas estão revisando seus processos de abastecimento e distribuição. O foco tem se voltado para a redução de viagens ociosas e o aumento da taxa de ocupação dos veículos, buscando diluir os custos fixos do transporte através de um planejamento de rotas mais inteligente e integrado entre fornecedores e indústria.

Nesse contexto de otimização, metodologias de coleta programada ganham destaque como soluções para a redução de estoques e custos de frete. O sistema Milk Run, por exemplo, permite que um único veículo realize a coleta de materiais em diversos fornecedores pré-determinados em horários fixos, garantindo um fluxo contínuo de abastecimento sem a necessidade de múltiplos fretes dedicados, o que racionaliza o uso da frota.

A complexidade logística se acentua quando a demanda envolve o varejo digital, setor que exige agilidade na ponta final da cadeia. O transporte para e-commerce enfrenta o desafio adicional da pulverização das entregas e da exigência dos consumidores por prazos curtos, obrigando as operadoras a equilibrarem a equação entre a rapidez do serviço e o alto custo operacional diagnosticado pelo ILOS.

O estudo também destaca que a saída para a redução desses custos a médio prazo passa pela adoção da Logística 4.0. A digitalização da cadeia, com o uso de tecnologias para rastreamento em tempo real e previsão de demanda, surge como a principal estratégia para compensar os gargalos da infraestrutura física, permitindo tomadas de decisão mais rápidas e assertivas.

A expectativa do setor para os próximos anos é que, apesar das dificuldades estruturais, a iniciativa privada continue investindo em modernização. A redução da fatia do PIB comprometida com a logística dependerá, em última análise, da combinação entre investimentos públicos em infraestrutura multimodal e o aumento da eficiência operacional por parte das transportadoras e embarcadores.


 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
VITORIA YUKI MOTOYAMA
[email protected]


FONTE: https://ilos.com.br/categoria/insights/
Notícias Relacionadas »